Nikolas Ferreira soou “apito de cachorro” antes de incêndio na UFPE

Nikolas Ferreira soou “apito de cachorro” antes de incêndio na UFPE
- Nikolas Ferreira, Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro em ato em São Paulo (Marina Uezima / AFP)

Um dia antes do incêndio que atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) soou o “apito de cachorro” – termo usado pela ultradireita para convocar ações nas redes sociais – atacando estudantes que estão indo às ruas em atos em favor de Lula.
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Às 19h08 de terça-feira (6), Nikolas foi às redes para atacar a mobilização dos estudantes que, segundo ele, “vão perder a linha”. Em seguida, ele soa o “apito de cachorro”.
“Em breve, ficará ainda mais claro qual lado escolher nessa eleições. O que seria um ‘trunfo’ da esquerda, será o mais um motivo da derrota”, escreveu.
https://x.com/nikolas_dm/status/2107593936562790624
A publicação na rede X aconteceu em meio a uma série de ataques do deputado reeleito contra os atos dos estudantes.
Nesta quinta-feira (8), Nikolas retomou os ataques dizendo que “os estudantes tão indo pra rua no meio de semana, atrapalhando o trabalhador a voltar pra casa e gritando ‘sem anistia’ pra virar votos”. E ironizou dizendo que “certeza que foi ideia da Janja”. O deputado, no entanto, segue calado sobre o incêndio na UFPE.
https://x.com/nikolas_dm/status/2108178651401392296
Aliado de Flávio Bolsonaro e grupos anti-Lula nas universidades
Na mesma terça-feira (6), às 18h08, o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE), aliado de Flávio Bolsonaro, revelou que já estava organizando grupos anti-Lula em universidades pernambucanas para atuar no segundo turno das eleições presidenciais. A declaração foi dada ao Blog do Ricardo Antunes.
Medina contou que havia retornado às universidades acompanhado de Gilson Filho, eleito deputado estadual pelo PL, para distribuir material da campanha de Flávio Bolsonaro e formar grupos contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na entrevista, Medina afirmou: “Hoje mesmo já voltei às universidades para distribuir material do Flávio”. Em seguida, acrescentou: “Estamos fazendo muitos grupos de faculdade anti-Lula”. Segundo o parlamentar, a mobilização era estadual, não se restringindo à capital nem à Região Metropolitana do Recife.
A declaração mostra que a organização dos grupos já estava em andamento na terça-feira (6), antes da repercussão das denúncias sobre ameaças divulgadas nas redes.
O parlamentar bolsonarista nega qualquer envolvimento com o incêndio na universidade ou com as ameaças dirigidas aos alunos pró-Lula.
Nesta quinta-feira, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar as causas do incêndio. O fogo consumiu equipamentos, amostras e pesquisas científicas sem deixar vítimas.
A investigação ganhou contornos políticos depois que parlamentares, como o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), relataram que estudantes teriam recebido ameaças explícitas horas antes do incêndio, com referências à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e menções a “explodir o departamento”.

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