Área técnica do TSE não encontra conteúdo irregular no canal “Exército do Lula”

Área técnica do TSE não encontra conteúdo irregular no canal “Exército do Lula”
- Nunes Marques - Foto: Gustavo Moreno/STF

A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou não ter encontrado, no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, publicações com o conteúdo apontado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em uma denúncia contra o grupo administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
A conclusão consta de um relatório elaborado pela Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do tribunal, após solicitação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, para que o órgão examinasse as mensagens divulgadas no canal.
“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”, afirma o documento.
A análise ocorre em meio a uma disputa judicial entre as campanhas presidenciais. A equipe de Flávio Bolsonaro acusou Janones de utilizar o canal para disseminar informações falsas e organizar ataques contra o candidato do PL. Com base na representação, Nunes Marques havia determinado a suspensão do grupo, decisão que provocou questionamentos dentro da Justiça Eleitoral.
A ordem foi posteriormente derrubada pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou o restabelecimento do canal. O corregedor também solicitou que o caso fosse submetido ao plenário do TSE na primeira sessão virtual regimentalmente disponível, em caráter de urgência e, preferencialmente, no prazo de 24 horas.
Os limites da atuação do presidente do TSE
A investigação técnica foi determinada no domingo (11), quando Cueva ainda buscava informações sobre o material publicado no canal. A assessoria deveria verificar tanto a existência das mensagens questionadas quanto a eventual reprodução de conteúdos semelhantes em outras plataformas digitais.
O levantamento também deveria informar se haviam sido adotadas medidas para avaliar possíveis riscos à integridade do processo eleitoral.
O relatório, ao não localizar as afirmações denunciadas nas publicações examinadas, acrescenta um elemento à controvérsia sobre a suspensão do grupo. A conclusão, porém, está delimitada ao conteúdo e ao período analisados pela área técnica.
O episódio ampliou as divergências em torno da atuação de Nunes Marques na presidência do tribunal. A decisão de interromper o funcionamento do canal gerou críticas de integrantes do TSE, especialmente em relação aos limites dos poderes administrativos do presidente da corte e à necessidade de respeitar as atribuições dos relatores.
Com mais de 3 milhões de usuários, segundo informações divulgadas anteriormente, o “Exército do Lula” é uma das ferramentas utilizadas para mobilizar apoiadores do presidente nas redes digitais durante a campanha eleitoral.
Lula critica presidente da Justiça Eleitoral
A disputa também passou a ocupar espaço no discurso político. Na segunda-feira (12), Lula criticou Nunes Marques e afirmou que o presidente do TSE não pode favorecer nenhum dos lados da disputa presidencial.
A declaração ocorreu após a suspensão e a posterior liberação do canal ligado a Janones, em um contexto de questionamentos sobre a condução de processos eleitorais envolvendo os dois candidatos.
Com o relatório técnico e a reversão da medida contra o grupo, o caso deverá ser examinado pelo plenário do tribunal, que terá de avaliar a controvérsia à luz das regras eleitorais e dos limites de atuação da Justiça Eleitoral sobre conteúdos divulgados durante a campanha.

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