6 vezes em que Flávio Bolsonaro detonou a PEC do fim da escala 6×1 antes de recuar

6 vezes em que Flávio Bolsonaro detonou a PEC do fim da escala 6×1 antes de recuar
Flávio Bolsonaro, cercado de iates e jet skis, durante "barqueata" em Angra; Fim da escala 6x1 - Foto: Vittor Sales /...

O fim da escala 6×1 virou uma das principais bandeiras do presidente Lula (PT) na campanha pela reeleição. Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro (PL) passou meses criticando a proposta, alertando para o risco de desemprego, questionando seus efeitos sobre a economia e defendendo um modelo de contratação por hora trabalhada. Na terça-feira (13), porém, anunciou que votará a favor da medida no Senado.
A mudança de discurso ocorreu às vésperas da votação da PEC que garante dois dias de descanso semanal, com redução gradual da jornada de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Até então, o senador havia classificado a iniciativa como eleitoreira e sustentado que sua alternativa seria superior.
O recuo também ocorre depois de aliados do candidato tentarem retardar a votação da proposta. Seu coordenador de campanha, Rogério Marinho (PL-RN), votou contra o texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e apresentou uma PEC alternativa que permite remuneração proporcional às horas trabalhadas.
O próprio Flávio aparece entre os signatários da PEC 12/2026. Pela proposta, contratos individuais podem estabelecer jornadas flexíveis, com pagamento proporcional ao tempo trabalhado. Diferentemente do texto defendido por Lula, essa alternativa não determina a redução da jornada semanal para 40 horas com manutenção integral da remuneração.
Como noticiou a Fórum, o anúncio favorável à redução da jornada ocorreu depois de meses de resistência do bolsonarismo à proposta. Relembre seis manifestações de Flávio Bolsonaro sobre o tema desde maio.
Flávio Bolsonaro e o fim da escala 6×1: relembre seis declarações
1. Maio: proposta era “inoportuna e eleitoreira”
Em 19 de maio, Flávio Bolsonaro classificou a discussão sobre o fim da escala 6×1 como “inoportuna e eleitoreira”. Em nota divulgada após reunião com parlamentares do PL, o senador afirmou que a redução da jornada poderia provocar desemprego, elevar os custos de produção e prejudicar os trabalhadores.
Na ocasião, acusou o governo Lula de agir com interesse eleitoral e defendeu um modelo de remuneração proporcional às horas trabalhadas.
Segundo Flávio, a proposta permitiria que os empregados trabalhassem mais para aumentar a renda ou optassem por jornadas menores, recebendo proporcionalmente menos.
2. Maio: diante de prefeitos, Flávio ataca a PEC e fala em prejuízo bilionário
No mesmo dia, durante a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, Flávio voltou a criticar a proposta, desta vez diante de prefeitos e gestores públicos de diferentes regiões do país.
Em discurso no evento organizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o senador afirmou que a legislação trabalhista brasileira estava ultrapassada e engessada. Também sustentou que a mudança poderia provocar um impacto de aproximadamente R$ 50 bilhões anuais nas administrações municipais.
Flávio argumentou que todos gostariam de trabalhar menos e ganhar mais, mas insistiu que a mudança deveria ocorrer por meio da flexibilização das regras de contratação.
Em vez de apoiar a redução obrigatória da jornada com manutenção integral do salário, voltou a defender que cada trabalhador pudesse escolher sua carga horária e receber conforme o tempo trabalhado.
Confira outros registros em vídeo relacionados às críticas e à proposta de jornada flexível:

3. Agosto: Flávio promete uma proposta “muito melhor” para os trabalhadores
Em 30 de agosto, após um encontro em São Paulo com o ministro da Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, Flávio voltou a defender um texto alternativo à PEC do fim da escala 6×1.
Questionado sobre como votaria a proposta apoiada por Lula, o candidato evitou uma resposta direta. Preferiu afirmar que seu grupo apresentaria uma solução superior, baseada na liberdade de escolha da jornada e no pagamento pelas horas efetivamente trabalhadas.
A declaração ocorreu quando o Senado se preparava para analisar a redução da jornada semanal e a concessão de dois dias obrigatórios de descanso.
Veja o vídeo da coletiva:

4. Agosto: na televisão, Flávio se esquiva de dizer como votaria
Ainda em 30 de agosto, durante entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, Flávio Bolsonaro voltou a ser questionado sobre o fim da escala 6×1.
Novamente, não respondeu diretamente se votaria a favor ou contra a PEC. Em vez disso, defendeu que o trabalhador pudesse escolher sua escala e receber conforme a quantidade de horas trabalhadas.
O candidato também utilizou as dificuldades financeiras enfrentadas por grandes empresas como argumento para questionar a proposta apoiada pelo governo.
O posicionamento reforçava a alternativa defendida pelo PL, que não garantia a redução de 44 para 40 horas semanais com manutenção integral da remuneração.
Assista à declaração:

5. Outubro: Flávio acusa Lula de oportunismo e diz ter proposta “infinitamente melhor”
Em 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições, Flávio endureceu as críticas. Durante entrevista coletiva ao lado de aliados, acusou Lula de utilizar o fim da escala 6×1 para conquistar votos na disputa presidencial.
O senador afirmou que o presidente teve quatro anos para promover a mudança e que havia decidido agir somente no segundo turno, numa tentativa de conquistar apoio eleitoral.
Flávio também declarou que tinha uma proposta “infinitamente melhor”, baseada na liberdade para o empregado escolher sua própria carga horária.
O modelo defendido pelo candidato, entretanto, mantém a possibilidade de jornadas de até 44 horas semanais e não assegura os dois dias de descanso com manutenção integral da remuneração previstos na PEC apoiada por Lula.
A declaração foi registrada em vídeo e voltou a circular nas redes sociais depois que o senador anunciou a mudança de posição.
https://x.com/daianasantospoa/status/2110087661113237708
6. Outubro: Flávio diz que Lula pensa no poder, não no trabalhador
No dia seguinte, 7 de outubro, Flávio voltou a atacar a iniciativa durante conversa com jornalistas em Brasília, após reunião com integrantes da federação União Progressista, que anunciou apoio à sua candidatura no segundo turno.
O senador afirmou que Lula estava mais preocupado em conquistar votos do que em melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Também criticou a tributação sobre a folha de pagamento e o endividamento das famílias.
Na mesma ocasião, defendeu que a votação da PEC fosse realizada somente depois das eleições presidenciais, marcadas para 25 de outubro.
A posição acompanhava a resistência de seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, que também questionava o momento escolhido para a votação e defendia uma proposta alternativa de flexibilização da jornada.
O recuo de Flávio Bolsonaro às vésperas da votação
Na terça-feira (13), menos de uma semana depois de acusar Lula de oportunismo eleitoral, Flávio Bolsonaro mudou o discurso e anunciou que votará a favor do fim da escala 6×1.
A declaração ocorreu após uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. O candidato afirmou que a maioria dos trabalhadores deseja a mudança e que, por isso, apoiará a PEC no Senado.
O senador, porém, manteve críticas ao texto e defendeu que o governo compense financeiramente as empresas pelos custos adicionais provocados pela redução da jornada.
Segundo Flávio, os empresários estão sufocados financeiramente e caberia ao governo bancar essa compensação. O candidato também alertou para a possibilidade de aumento da informalidade.
Flávio não apresentou estimativa do custo da compensação nem detalhou como o governo financiaria a medida.
Veja o vídeo do anúncio:
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A PEC 221/2019 está na pauta oficial do Senado para esta quarta-feira (14). O texto reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe a redução salarial.
Para ser aprovada, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado.
A guinada ocorreu em meio à pressão pela aprovação da medida antes do segundo turno das eleições. Flávio passou a prometer apoio à PEC que vinha criticando, mas continua defendendo um modelo alternativo de contratação, baseado na remuneração proporcional às horas trabalhadas.

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