Viagens de Eduardo e Flávio Bolsonaro ao Bahrein coincidem com pressão judicial no Brasil

Viagens de Eduardo e Flávio Bolsonaro ao Bahrein coincidem com pressão judicial no Brasil
Eduardo Bolsonaro e Flavio Bolsonaro - Eduardo Bolsonaro e Flavio Bolsonaro, em abril de 2026. Flickr de Eduardo...

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) esteve ao menos nove vezes no Bahrein desde 2019, sendo a visita mais recente em 8 de outubro, no Palácio Real de Manama, onde foi recebido pelo príncipe herdeiro e primeiro-ministro Salman bin Hamad Al Khalifa. As fotos da visita foram divulgadas pelo gabinete do príncipe um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a prisão de um ex-deputado e o cancelamento de seus passaportes brasileiros. Em outras ocasiões, Eduardo viajou ao Bahrein acompanhado do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e do deputado Mário Frias (PL-SP), ambos com agendas pouco detalhadas e sem informação pública sobre quem financiou as viagens.
Viagens de Eduardo Bolsonaro: um padrão em meio à pressão judicial
Eduardo Bolsonaro acumula ao menos nove visitas ao Bahrein desde 2019, com quatro delas realizadas ainda durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. A mais recente ocorreu em 8 de outubro, quando ele foi recebido no Palácio Real de Manama pelo príncipe herdeiro e primeiro-ministro Salman bin Hamad Al Khalifa. As imagens do encontro foram publicadas pelo gabinete do príncipe, não pelo próprio deputado.
O timing da visita chama atenção. Um dia antes, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado a prisão de um ex-deputado condenado pelo STF e o cancelamento de seus passaportes brasileiros. Não é a primeira vez que o calendário das viagens de Eduardo se alinha a momentos de turbulência judicial. Três das visitas mais recentes seguem esse padrão: em outubro de 2025, o deputado viajou ao Bahrein logo após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República; em maio de 2026, esteve no país ao lado do deputado Mário Frias, então alvo de apuração no STF; e na visita de 8 de outubro, já com condenação definitiva no horizonte. A recorrência do destino em momentos de crise compõe um padrão que vai além da coincidência de datas.
Flávio Bolsonaro e Mário Frias: as viagens em companhia
Em 31 de janeiro de 2026, Eduardo chegou ao Bahrein acompanhado do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então pré-candidato à Presidência. A comitiva incluía os deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), o blogueiro Paulo Figueiredo e Paulo Guedes Landim. O grupo permaneceu no país até o início de fevereiro.
A agenda de Flávio no Bahrein foi extensa e variada: festival de corridas de cavalos patrocinado pela família real, visita ao Parlamento, reunião no Ministério do Interior, encontro com o príncipe herdeiro no palácio e recepção no estábulo de Nasser bin Hamad Al Khalifa, filho do rei e conselheiro de Segurança Nacional. Em maio de 2026, foi a vez de Eduardo viajar ao Bahrein com o deputado Mário Frias (PL-SP). Naquele momento, Frias já era alvo de apuração no STF sobre a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada ao filme Dark Horse. A viagem foi divulgada apenas no Instagram de Frias, sem qualquer menção pública nas redes de Eduardo.
Bahrein e o caso das joias: um elo na investigação
O Bahrein não aparece apenas na agenda política recente dos Bolsonaro. O país também figura nas investigações sobre joias recebidas pelo governo Jair Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, um relógio Patek Philippe investigado entre os presentes pode ter sido entregue ao ex-presidente durante a visita oficial de novembro de 2021, quando ele inaugurou a embaixada brasileira em Manama.
Eduardo Bolsonaro acompanhava o pai naquela ocasião. A visita de 2021 foi, portanto, o ponto de partida de uma relação que se aprofundou nos anos seguintes, com Eduardo tornando-se um frequentador assíduo do reino. O fato de o Bahrein aparecer tanto no caso das joias quanto como destino recorrente em momentos de pressão judicial confere ao país um papel que vai além do protocolo diplomático nas trajetórias da família.
Transparência e questionamentos sobre as agendas
No pedido formal ao Senado, Flávio Bolsonaro declarou que a viagem de janeiro de 2026 não teria custo para a instituição. Não informou, porém, quem arcaria com as despesas de uma comitiva que incluía dois deputados, um blogueiro e outros acompanhantes, nem detalhou a agenda completa. A declaração de que o Senado não pagaria é o único dado público disponível sobre o financiamento da viagem.
A opacidade se repete no caso de Mário Frias. O deputado informou à Câmara ter permanecido no Bahrein de 12 a 18 de maio, a convite do Conselho de Desenvolvimento Econômico do país (EDB). As fotos publicadas, no entanto, registram apenas reuniões com três integrantes do EDB, sem qualquer registro público da agenda nos demais dias da estadia. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro concedeu entrevista ao jornal bareinita Al Bilad durante a visita e prometeu, caso eleito presidente, acabar com a exigência de visto para portadores de passaporte do Bahrein. Também convidou empresas do país a investir em ferrovias brasileiras, afirmando que “temos alterado a legislação” para permitir concessões a estrangeiros por até 50 anos. Promessas dessa natureza, feitas por um pré-candidato à Presidência em viagem sem transparência sobre o financiamento, ficam sem resposta sobre quais interesses, exatamente, estavam sendo representados.

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