A Justiça Eleitoral de Divinópolis determinou, na quarta-feira (14), que a Polícia Federal instaure inquérito para investigar Ana Elisa Santos Silva (PT), a deputada federal mais jovem eleita por Minas Gerais.
A decisão atende a uma notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro (PL) e questiona publicações feitas pela deputada eleita na rede social X sobre o plano da ultradireita e setores evangélicos de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O juiz eleitoral Orlando Israel de Souza, de Divinópolis, publicou nesta quarta-feira (14) a decisão que ordena à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar a conduta de Ana Elisa Santos Silva durante a campanha de 2026.
A investigação é baseada na acusação de que a deputada eleita teria divulgado informações falsas na rede social X entre 24 de setembro e 8 de outubro de 2026, período coberto pela ordem de preservação de registros digitais imposta à plataforma.
O magistrado também determinou que o X guarde os dados das publicações questionadas, garantindo que o material esteja disponível para a apuração.
Por outro lado, rejeitou o pedido para impedir Ana Elisa de fazer novas publicações políticas, entendendo que tal restrição extrapolaria o que a situação justifica. O juiz ressaltou que a abertura do inquérito não equivale a reconhecer que houve crime: significa apenas que os fatos precisam ser investigados com mais profundidade.
A denúncia e as publicações questionadas
A notícia-crime foi apresentada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e questiona publicações de Ana Elisa sobre a articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Segundo a denúncia, em 24 de setembro a deputada eleita publicou no X uma mensagem afirmando que apoiadores do candidato tentavam promover essa mudança, questionando quem queria fechar igrejas e criticando o grupo político de Bolsonaro. A postagem teria alcançado mais de 20,8 mil visualizações e sido compartilhada mais de 600 vezes.
O documento menciona decisões do Tribunal Superior Eleitoral que consideraram sem fundamento a alegação de que Flávio Bolsonaro ou sua família pretendiam alterar o título da padroeira. A denúncia afirma ainda que, mesmo diante dessas correções, Ana Elisa voltou a abordar o tema nas redes no dia seguinte.
O Ministério Público Eleitoral avaliou que havia elementos suficientes para justificar uma investigação e pediu a instauração do inquérito, com foco em obter informações da plataforma X sobre as publicações. O órgão apoiou a preservação dos registros digitais, mas se opôs ao pedido de censura prévia, classificando a restrição solicitada como genérica por não delimitar com precisão quais conteúdos seriam proibidos.
Desativação da conta no X após ameaças
Antes mesmo da decisão judicial, Ana Elisa já havia deixado o X. Em 8 de outubro, ela anunciou pelo Instagram que desativou a conta na plataforma após receber ameaças de morte e de estupro em volume que, segundo ela própria, chegava a uma a cada dois minutos.
Em vídeo publicado no Instagram, a deputada eleita foi direta:
“Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaça de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país. O debate político para mim nunca foi sobre isso. A minha equipe desativou a minha conta no Twitter porque nós estávamos recebendo ameaça de morte a cada dois minutos. Ameaça de morte e ameaça de estupro.”
A saída de Ana Elisa do X ocorre, portanto, no mesmo intervalo de tempo coberto pela ordem de preservação de registros determinada pelo juiz, e antecede em mais de dois meses a decisão que agora a coloca sob investigação da Polícia Federal.
Justiça Eleitoral acata pedido de Flávio Bolsonaro e determina que PF investigue Ana Elisa
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