Lula x Flávio: o que cada um propõe para os esportes brasileiros

Lula x Flávio: o que cada um propõe para os esportes brasileiros
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para esportes diferem completamente - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o setor esportivo revelam visões opostas sobre o papel do Estado e do mercado no esporte brasileiro. Lula aposta na expansão de políticas públicas, na criação de uma Universidade do Esporte e no legado da Copa do Mundo Feminina; Flávio Bolsonaro quer reduzir a dependência de recursos públicos, ampliar parcerias privadas e vetar a participação de mulheres trans em competições femininas. Os planos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nenhuma das campanhas respondeu a pedidos de detalhamento no prazo solicitado pela imprensa.
Lula: investimento público e Copa Feminina
O programa de governo de Lula coloca a Copa do Mundo de Futebol Feminino, prevista para 2027 no Brasil, como referência central para o esporte feminino. Será a primeira edição do torneio na América do Sul, e o plano petista prevê suporte direto à realização do evento como parte de uma agenda mais ampla de valorização do esporte da mulher.
Além do evento, o programa prevê a implementação da Universidade do Esporte, instituição pública federal de ensino superior voltada ao ensino, pesquisa e inovação na área esportiva, com sede em Brasília e possibilidade de expansão para outros estados. O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional em julho. O plano também prevê nova ampliação do Bolsa-Atleta, programa que recebeu seu primeiro reajuste desde 2004 em 2024 e atingiu recorde de 11 mil contemplados em 2026.
Lula ainda apresenta como continuidade a reconstituição do Ministério do Esporte, desfeito no primeiro mês do governo Jair Bolsonaro, e a permanência da Lei de Incentivo ao Esporte, que se tornou definitiva em 2025. Para o esporte de base, o plano cita o Arenas Brasil, com R$ 390 milhões previstos para espaços esportivos comunitários via Novo PAC.
Flávio Bolsonaro: privatização e restrições a atletas trans
O programa de Flávio Bolsonaro parte da premissa de “romper com a dependência do dinheiro público” no esporte. A proposta enfatiza a ampliação do envolvimento de empresas e patrocinadores privados, com a criação do Programa Escola de Campeões, que prevê parcerias público-privadas para levar o esporte competitivo às escolas, e o aperfeiçoamento das bolsas esportivas com foco na iniciativa privada.
A única menção ao esporte feminino no programa do candidato do PL diz respeito à participação de atletas trans. O documento registrado no TSE afirma que “o esporte feminino foi criado justamente para dar às mulheres um espaço de competição justo. Vamos protegê-lo”, e conclui que a categoria feminina, “da base ao alto rendimento”, deve ser disputada por atletas do sexo feminino. Sem usar os termos “trans” ou “transgênero”, o texto enquadra a restrição como proteção à “lisura da competição” contra “agendas ideológicas”.
Divergências e impactos
A divisão central entre os dois planos é de modelo: Lula aposta na atuação estatal como garantia de acesso e formação, especialmente em modalidades sem apelo comercial; Flávio Bolsonaro vê o Estado como obstáculo à eficiência e propõe o mercado como motor do desenvolvimento esportivo. O risco concreto da privatização, apontado por especialistas no setor, é o abandono de modalidades olímpicas e paralímpicas que não geram audiência nem retorno publicitário.
O contraste também aparece na visão sobre o esporte feminino: enquanto Lula destaca a Copa do Mundo de 2027 como oportunidade de visibilidade e legado para as mulheres no esporte, a única referência de Flávio Bolsonaro ao tema é a exclusão de atletas trans, o que, segundo a leitura editorial do guia aprovado, revela prioridades distintas sobre quem o esporte feminino deve, de fato, proteger.

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