Dono da CNN, apoiador de Bolsonaro, tem negócios ligados a Vorcaro e histórico de denúncias de trabalho análogo à escravidão

Dono da CNN, apoiador de Bolsonaro, tem negócios ligados a Vorcaro e histórico de denúncias de trabalho análogo à escravidão
- Rubens Menin durante lançamento da CNN Brasil em 2020. Foto: Bruno Batista/ VPR

Após exibir, neste sábado (17), uma entrevista com Roberta Luchsinger, que não apresentou provas ou fatos novos contra o presidente Lula e afirmou nunca ter mantido contratos públicos com seu governo, a CNN Brasil, controlada pelo empresário Rubens Menin, conhecido por suas declarações de apoio a Jair Bolsonaro, volta a chamar atenção para o histórico de relações políticas e empresariais de seus proprietários. A entrevista foi ao ar na véspera do debate presidencial da Band, em plena reta final do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Rubens Menin é fundador e controlador da CNN Brasil, empresário da construção civil e um dos principais investidores do Atlético-MG.
A relação entre o dono da emissora e o clube mineiro ganhou outra dimensão com as investigações sobre Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que também realizou investimentos milionários na SAF do Atlético.
Segundo reportagem do Metrópoles publicada em janeiro, a Procuradoria-Geral da República apontou suspeitas sobre a estrutura financeira utilizada por Vorcaro para aplicar R$ 300 milhões no clube. O dinheiro passou por fundos cuja composição e controle passaram a ser examinados pelas autoridades.
A investigação não atribuiu irregularidades a Menin pelo simples fato de ele e Vorcaro terem participado da estrutura societária do Atlético. O clube afirmou que os aportes seguiram os procedimentos legais e que não participou da gestão financeira dos fundos investigados.
A ligação empresarial também mudou posteriormente. Em maio de 2026, um novo aporte da família Menin alterou a composição acionária da SAF, ampliando sua participação.
O passado da CNN com Bolsonaro
Os vínculos políticos dos fundadores da emissora já haviam sido objeto de investigação jornalística antes mesmo de sua estreia.
Em janeiro de 2019, o The Intercept Brasil publicou uma reportagem sobre Rubens Menin e Douglas Tavolaro, então responsáveis pelo lançamento da CNN Brasil.
O texto recuperou declarações elogiosas de Menin a Jair Bolsonaro e sua aproximação com o ex-presidente depois da eleição de 2018.
Também examinou a trajetória de Tavolaro, ex-dirigente da Record e próximo de Edir Macedo, destacando sua participação na cobertura favorável a Bolsonaro promovida pela emissora durante aquela campanha.
A reportagem abordou ainda o histórico da MRV, construtora fundada por Menin, em controvérsias relacionadas ao combate ao trabalho escravo. A empresa havia figurado na chamada lista suja, posteriormente modificada após uma disputa judicial envolvendo o setor empresarial.
À época, a CNN Brasil afirmou que teria independência editorial.
Mais recentemente, a saída da jornalista Clarissa Oliveira da CNN Brasil, após três anos na emissora, também gerou controvérsia. Circularam nas redes sociais rumores de que ela teria sido demitida após fazer críticas à família Bolsonaro, incluindo referências a supostas ligações com milícias. A jornalista desmentiu a declaração atribuída a ela e afirmou que seu desligamento ocorreu de forma amigável.

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