As cobranças feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o Banco Master, a abertura de sigilos bancários e a soberania brasileira ganharam destaque na imprensa internacional após o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado neste domingo (18), na Band. Veículos estrangeiros também chamaram atenção para as perguntas que o senador deixou sem resposta e suas repetidas provocações enquanto Lula tentava falar.
O jornal espanhol El País descreveu o contraste entre um Lula de discurso mais técnico e um Flávio que buscava irritar o adversário. A Deutsche Welle, da Alemanha, registrou as sucessivas tentativas do senador de mudar de assunto diante de questionamentos. Já a agência norte-americana Associated Press destacou o desafio do presidente para que ambos abrissem suas informações financeiras à fiscalização.
Imprensa internacional destaca cobrança de Lula sobre Vorcaro
Em reportagem publicada nesta segunda-feira (19), o El País relatou que Lula começou o debate demonstrando desconforto diante das provocações de Flávio, mas passou à ofensiva ao longo do confronto.
Um dos principais momentos ocorreu quando o presidente exigiu explicações sobre o pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Segundo o jornal espanhol, Flávio não conseguiu explicar satisfatoriamente o destino dos recursos mencionados na discussão. O senador é investigado por suspeitas relacionadas ao financiamento da produção e nega irregularidades.
O El País também destacou que Lula insistiu na independência da Polícia Federal para investigar denúncias, inclusive quando envolvem pessoas próximas ao governo. Ao ser questionado sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o presidente afirmou acreditar em sua inocência, mas defendeu que as investigações prossigam.
O confronto sobre corrupção terminou com uma proposta de Lula: os dois candidatos deveriam disponibilizar seus dados bancários e telefônicos para análise das autoridades antes do segundo turno. Flávio não aceitou o desafio durante o programa.
A Associated Press classificou esse episódio como o momento de maior tensão do encontro.
Flávio evita responder sobre escala 6×1 e soberania nacional
As perguntas de Lula também colocaram em discussão a redução da jornada de trabalho e as relações da família Bolsonaro com os Estados Unidos.
O El País observou que Flávio teve dificuldades para assumir um compromisso claro com a manutenção do fim da escala 6×1, medida à qual havia se oposto anteriormente. Depois de mudar de assunto, o senador afirmou que manteria a mudança.
Outra cobrança envolveu as reservas brasileiras de terras raras, minerais estratégicos para a indústria tecnológica e de defesa. Lula perguntou duas vezes se Flávio pretendia entregá-las aos Estados Unidos. O jornal espanhol destacou que o senador não respondeu diretamente.
O presidente também questionou a proximidade dos Bolsonaro com Donald Trump e acusou integrantes da família de atuarem contra os interesses brasileiros em meio às pressões comerciais de Washington. Flávio rejeitou as acusações e afirmou que o governo Lula subordina o Brasil a interesses de outros grupos internacionais.
A Reuters registrou essa divergência, destacando a defesa da soberania nacional como um dos assuntos que atravessaram a disputa.
Deutsche Welle registra perguntas ignoradas e provocações
A Deutsche Welle relatou que Flávio frequentemente substituiu respostas a Lula por acusações e ataques pessoais.
O comportamento apareceu quando o presidente questionou o voto do senador, em 2009, contrário à ampliação da licença-maternidade para servidoras do Rio de Janeiro. Flávio ignorou a pergunta e passou a falar da lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas envolvendo o escândalo de fraudes no INSS.
Em outro momento, quando Lula voltou a cobrar explicações sobre os R$ 134 milhões relacionados ao filme de Jair Bolsonaro, o senador respondeu com uma provocação sobre a produção e passou a criticar o Bolsa Família.
A emissora alemã também registrou que Lula apresentou propostas para a segurança pública, defendeu a PEC enviada pelo governo ao Congresso e mencionou políticas voltadas aos microempreendedores individuais.
Provocações diante das câmeras chamam atenção no exterior
O comportamento de Flávio no palco foi outro ponto destacado pela cobertura estrangeira.
O senador caminhou repetidas vezes atrás de Lula, fazendo gestos e expressões faciais enquanto o presidente falava. Segundo o El País, a atitude lembrava a estratégia utilizada por Donald Trump contra Hillary Clinton no debate presidencial norte-americano de 2016.
A Reuters observou que o formato do encontro, com liberdade de movimentação e mediação limitada, contribuiu para a tensão. A equipe de Lula reclamou da conduta do senador, mas os mediadores afirmaram que a movimentação estava dentro das regras.
O El País relatou ainda que, durante as considerações finais, uma das mediadoras precisou pedir repetidamente que Flávio saísse do enquadramento do presidente.
Lula defende economia e Petrobras diante de ataques
Além das cobranças sobre investigações, Lula defendeu sua política econômica, a valorização do salário mínimo e a manutenção de empresas públicas estratégicas.
A Reuters destacou que o presidente associou o crescimento econômico à distribuição de renda e ao aumento do poder de compra dos trabalhadores. Lula também criticou a possibilidade de privatização da Petrobras.
Flávio, por sua vez, concentrou parte de suas intervenções em críticas ao custo de vida e à segurança pública, prometendo combater organizações criminosas e melhorar a situação financeira das famílias.
O El País considerou que Lula apresentou argumentos mais complexos, mas avaliou que essa abordagem dificultou a transmissão de mensagens simples ao eleitor. O jornal também registrou que o presidente perdeu oportunidades de explorar algumas contradições do adversário.
A Associated Press observou que os ataques pessoais acabaram ocupando espaço que poderia ter sido destinado à apresentação dos programas de governo.
Lula cobra Vorcaro e sigilos, e imprensa internacional expõe evasivas de Flávio
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