O empresário Marcos Molina, fundador da Marfrig (hoje MBRF), utilizou o heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, 36 vezes desde 2024 sem pagar qualquer taxa. A revelação é da Folha de S.Paulo, com base em documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação. O heliponto é administrado pela Casa Militar e destinado prioritariamente a atividades institucionais, mas o governo paulista não apresentou critérios objetivos para justificar o acesso gratuito e reiterado de um empresário privado à estrutura.
Uso gratuito e frequente de heliponto público
Segundo apuração da Folha de S.Paulo com documentos obtidos via LAI, Molina é o empresário com o maior número de registros de pousos e decolagens no heliponto estadual. Os dados mostram que, dos 94 registros empresariais contabilizados na gestão Tarcísio entre 2020 e junho de 2026, 36 são de Molina, o que representa mais de um terço do total do período.
O volume chama atenção porque o equipamento público é administrado pela Casa Militar e tem como finalidade prioritária o suporte a atividades institucionais do governo estadual. Ainda assim, aeronaves particulares têm sido autorizadas a utilizar a estrutura sem que os critérios para essas autorizações sejam divulgados publicamente.
Em duas ocasiões neste ano, conforme os documentos obtidos pela Folha de S.Paulo, Molina aparece nas listas de passageiros ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). As circunstâncias desses voos não foram esclarecidas pelo governo paulista.
Questionamentos e falta de explicações do governo
Diante dos registros, a assessoria de Marcos Molina declarou à Folha de S.Paulo que a utilização ocorreu “exclusivamente para fins de embarque e desembarque, mediante autorização prévia e conforme as regras aplicáveis, não estando relacionada a agendas institucionais”. A afirmação, no entanto, aprofunda a questão: se os deslocamentos não tinham relação com compromissos oficiais, o que justifica o acesso gratuito e repetido a uma estrutura pública?
O governo Tarcísio não esclareceu as autorizações concedidas especificamente a Molina, tampouco as circunstâncias dos dois registros em que o empresário aparece ao lado do governador. A administração estadual sustenta que particulares podem usar o heliponto por “conveniência administrativa” e invoca uma política de cooperação e reciprocidade, pela qual o Estado também utilizaria gratuitamente estruturas de outras instituições. Os critérios objetivos para essas autorizações, porém, não foram detalhados.
A ausência de transparência sobre quem pode usar um bem público, com que frequência e sob quais condições é, por si só, um problema administrativo. Os registros não comprovam irregularidade, mas tornam legítima a exigência de explicações claras sobre por que um empresário privado acumulou mais usos gratuitos de um heliponto público do que qualquer outro no atual governo, em deslocamentos que, segundo sua própria assessoria, não tinham relação com a agenda do Estado.
Empresário Marcos Molina usou heliponto do Palácio dos Bandeirantes 36 vezes sem pagar nada
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