Fábio Porchat expõe ‘República dos Laranjas’ e põe Flávio no centro do escândalo Master

Fábio Porchat expõe ‘República dos Laranjas’ e põe Flávio no centro do escândalo Master
Republica dos Laranjas - Flávio Bolsonaro em ato na Paulista. No detalhe, com Willer Tomaz (Charles Vieira /...

Uma conta bancária na qual Flávio Bolsonaro aparece como usuário master, R$ 5 bilhões em apostas, empresas administradas por uma suposta laranja e um jatinho que conecta o candidato do PL ao banqueiro Daniel Vorcaro. Essas são algumas das revelações reunidas no novo episódio da série Revelando, lançado nesta terça-feira (20), com apresentação de Fábio Porchat.
Intitulado “República dos Laranjas”, o episódio expõe uma rede de relações financeiras, empresariais e políticas envolvendo Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz, o ex-controlador do Banco Master e o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Todo mundo aqui é sócio de todo mundo. E, ao mesmo tempo, no papel, ninguém é necessariamente sócio de nada”, afirma Porchat, ao apresentar os indícios reunidos em investigações da Polícia Federal e reportagens jornalísticas.
Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e os bilhões das bets
Um dos principais elos é a Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz, advogado investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao escândalo do INSS.
Documentos obtidos pela Polícia Federal mostram que Flávio Bolsonaro constava como “usuário master” em uma conta bancária da empresa. Para os investigadores, o cadastro sustenta a hipótese de uma participação societária de fato do senador, embora seu nome não aparecesse formalmente entre os proprietários.
A Fórum publicou, em reportagem de Ivan Longo, os e-mails que identificam Flávio na conta ligada ao advogado. Em maio de 2025, uma funcionária solicitou ao Santander a retirada do cadastro. Flávio alega que a inclusão foi indevida e nega qualquer sociedade.
A proximidade entre os dois já havia provocado controvérsia na CPI da Pandemia. Conforme mostrou Plínio Teodoro, Flávio reagiu à tentativa de quebra do sigilo fiscal de Willer Tomaz, defendendo publicamente o advogado.
Willer também é investigado por movimentações financeiras em plataformas de apostas. Somente em 2025, realizou operações que somaram aproximadamente R$ 5 bilhões apostados, montante que não corresponde ao dinheiro efetivamente depositado. A defesa atribui as movimentações à dependência em jogos e nega lavagem de dinheiro.
Durante buscas no escritório do advogado, a PF encontrou maços de dinheiro escondidos em livros-cofre e uma máquina de contar cédulas.
Empresas em nome de terceiros e os elos com o INSS
Outro nome apresentado é Lídia Mazelli, que aparece na administração de 14 empresas ligadas a Willer. Ao ser inicialmente procurada por jornalistas, apresentou-se como doméstica. Posteriormente, negou exercer a profissão e afirmou possuir formação em administração.
A PF investiga se ela atuou como laranja. Sua defesa e a de Willer negam irregularidades.
Entre as empresas está a WT, envolvida na disputa judicial por uma mansão em Angra dos Reis. O ex-jogador Richarlison afirma ter perdido o imóvel após investir cerca de R$ 10 milhões e acusa Flávio e Willer de terem sido beneficiados na disputa.
As conexões alcançam ainda Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Alexandre Caetano dos Reis, ligado ao lobista, também aparece relacionado à contabilidade do escritório de Flávio. Sua irmã, Letícia, administra o escritório do senador.
Além disso, a Bravo Grafeno, empresa dos irmãos Flávio e Carlos Bolsonaro, compartilha endereço em Brasília com empresas ligadas ao Careca. Henrique Rodrigues detalhou essas conexões em investigação publicada pela Fórum.
Os vínculos não comprovam participação de Flávio nas fraudes previdenciárias, mas integram as suspeitas examinadas pelas autoridades.
Banco Master: jatinho, mansões e negócios com Vorcaro
Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou dos Estados Unidos para Brasília em um jatinho que tinha entre seus cotistas empresas ligadas a Willer Tomaz e a Daniel Vorcaro.
O senador afirma ter pegado carona no avião de um amigo. A questão é que a Alcazar, ligada à aeronave, é justamente a empresa em cuja conta Flávio aparecia como usuário master.
A rede também envolve imóveis de luxo. Uma mansão em Angra dos Reis, utilizada pelo senador para comemorar o aniversário de uma filha, estava ligada a empresas de Willer e à administração de uma companhia relacionada a Vorcaro.
O episódio recupera ainda as negociações de quase US$ 24 milhões para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Mensagens mostram Flávio cobrando parcelas de Vorcaro. O valor negociado não significa que tenha sido integralmente pago.
Nunes Marques, festas de Vorcaro e pagamentos ao filho
As revelações também alcançam Kassio Nunes Marques, ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro e atual presidente do TSE.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro descrevem festas privadas com mulheres contratadas para atender convidados. Em uma conversa, um funcionário menciona ter disponibilizado um quarto para um ministro acompanhado de cinco mulheres. Em outra, aparece o nome “Kassio” associado a uma cobrança.
Investigadores apuram se as referências dizem respeito a Nunes Marques. As mensagens divulgadas, porém, não comprovam isoladamente sua presença nos encontros. O ministro nega irregularidades.
Também foram identificadas transferências de aproximadamente R$ 281,6 mil ao escritório de Kevin Marques, filho do ministro, realizadas por uma consultoria que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master.
Kevin afirma que os valores correspondem a serviços advocatícios legítimos. Ivan Longo também mostrou na Fórum informações da PF sobre uma estadia de luxo que Vorcaro teria custeado para Nunes Marques.
O episódio recorda ainda que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz foram apontados em reportagens como articuladores da indicação do ministro ao Supremo. Posteriormente, Nunes Marques participou de decisões favoráveis à defesa do senador no caso das rachadinhas. O magistrado nega que os dois tenham determinado sua escolha.
O que acontece com as investigações se Flávio vencer?
Na parte final, o episódio contrapõe a investigação de Lulinha, filho do presidente Lula, às acusações de interferência do governo Jair Bolsonaro nas apurações sobre Flávio. Lulinha nega irregularidades e não foi denunciado no caso abordado.
“Um filho de presidente está sendo investigado, o outro foi blindado”, afirma Porchat, ao recuperar a atuação da Abin no caso das rachadinhas e a prisão de Fabrício Queiroz em um imóvel do advogado Frederico Wassef.
Com Flávio disputando o segundo turno, a questão ganha dimensão eleitoral. O artigo 86 da Constituição restringe a responsabilização do presidente por atos anteriores ao mandato. Plínio Teodoro analisou na Fórum como a regra pode afetar a investigação sobre o caso Dark Horse.
Flávio nega irregularidades. Mas a possibilidade de chegar à Presidência torna ainda mais urgente esclarecer seu vínculo com a conta da Alcazar, as operações empresariais de Willer Tomaz e os negócios relacionados ao Banco Master. Afinal, o candidato pode assumir o comando do mesmo Estado que hoje investiga essas relações.
Assista ao Revelando: República dos Laranjas

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