Candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar de Mendonça Neto (PL) tem estreita ligação familiar de décadas com o ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O pai, Carlos Alberto Pinheiro de Mendonça, foi um dos principais conselheiros políticos da família Collor e ocupou cargos de confiança durante quase 50 anos nas Organizações Arnon de Mello (OAM), conglomerado de comunicação responsável pela TV Gazeta de Alagoas, que durante décadas foi afiliada da Rede Globo.
Carlos Mendonça iniciou a relação com a família como conselheiro de Arnon de Mello, pai de Fernando Collor. Mais tarde, passou a exercer funções de confiança junto ao futuro presidente da República, com participação em campanhas eleitorais, elaboração de discursos e articulações políticas.
Mendonça foi um dos conselheiros de maior prestígio de Arnon de Mello e relatou a continuidade dessa relação com Fernando Collor. Exercia influência nas decisões do grupo empresarial e participava diretamente das atividades políticas da família. Enquanto diretores eram substituídos, ele permanecia na estrutura das organizações.
Em 2005, Mendonça assumiu a presidência do Conselho Estratégico das Organizações Arnon de Mello. Além disso, presidiu o Instituto Arnon de Mello e manteve sua ligação com o grupo até morrer, em maio de 2020, aos 82 anos, vítima da Covid-19.
Alfredo Gaspar nasceu em 1970 e cresceu durante o período em que o pai exercia funções nas empresas da família alagoana. A ligação política de Carlos Mendonça com Collor atravessou a crise que levou ao impeachment do então presidente, em 1992.
Mendonça permaneceu ligado ao ex-presidente. Em 2010, quando Collor voltou a disputar o governo de Alagoas, o pai de Alfredo Gaspar assumiu a coordenação de sua campanha eleitoral.
A atuação foi registrada pela imprensa durante a disputa, inclusive na cobertura de uma decisão da Justiça Eleitoral que proibiu Collor de utilizar os nomes de Lula e Dilma Rousseff em seu jingle.
O pai de Alfredo Gaspar também representou Fernando Collor em atividades da Academia Alagoana de Letras, após a eleição do ex-presidente para a instituição.
Em 27 de setembro de 2022, a relação política entre as famílias voltou a aparecer publicamente. Durante debate promovido pela TV Gazeta, Fernando Collor, novamente candidato ao governo de Alagoas, anunciou que pretendia nomear Alfredo Gaspar secretário de Segurança Pública, em caso de vitória na eleição.
“Por isso, eu gostaria de anunciar que o meu próximo secretário de Segurança Pública em Alagoas será o doutor Alfredo Gaspar de Mendonça”, declarou Collor, durante o debate.
À época, Gaspar disputava uma vaga de deputado federal pelo União Brasil. Collor foi derrotado na eleição para governador, enquanto seu ex-futuro secretário de Segurança Pública conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados por Alagoas. Quatro anos depois, passou a integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Aproximação política entre Collor a família Bolsonaro
A escolha de Gaspar como vice aconteceu após episódios de aproximação política entre Fernando Collor e a família Bolsonaro. Em novembro de 2020, Jair Bolsonaro elogiou publicamente o ex-presidente durante cerimônia em Alagoas. No segundo turno das eleições de 2022, Collor declarou apoio à reeleição de Bolsonaro contra Lula (PT).
Fernando Collor foi condenado pela Justiça décadas depois de seu impeachment. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou ao ex-presidente a pena de oito anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em processo relacionado a contratos da BR Distribuidora.
Em março de 2026, Alfredo Gaspar foi alvo de uma acusação de estupro de vulnerável envolvendo uma adolescente que teria 13 anos na ocasião. Em agosto do mesmo ano, depois de ser anunciado como candidato a vice-presidente, ele apresentou pedidos à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao STF para a realização de exames de DNA.
Em 5 de outubro, a PGR se manifestou pelo arquivamento, após concluir que os elementos apresentados não permitiam identificar, de maneira segura, as pessoas envolvidas nos fatos. No dia seguinte, o ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento.
Candidato a vice de Flávio Bolsonaro e as ligações com a família Collor
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