Assédio eleitoral dispara 713% em setembro e chega a 35 denúncias por dia em outubro

Assédio eleitoral dispara 713% em setembro e chega a 35 denúncias por dia em outubro
- Imagem Ilustrativa - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), cresce o número de denúncias de trabalhadores submetidos a pressões políticas no ambiente de trabalho. O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 663 denúncias de assédio eleitoral entre 1º e 19 de outubro de 2026, uma média de 35 registros por dia.
O aumento já havia chamado atenção em setembro. Naquele mês, foram contabilizadas 553 denúncias, contra 68 no mesmo período de 2022, quando ocorreu a última eleição presidencial. A diferença representa uma alta de aproximadamente 713%.
Os registros incluem relatos de ameaças, constrangimentos e outras formas de pressão para interferir na escolha política de trabalhadores.
O crescimento das denúncias, não significa necessariamente que os episódios de assédio eleitoral tenham aumentado na mesma proporção. A maior conscientização dos trabalhadores e o reforço dos canais de fiscalização e denúncia também podem influenciar os números.
Quando o patrão tenta interferir no voto
O assédio eleitoral ocorre quando há coação, intimidação, ameaça, humilhação ou constrangimento no ambiente de trabalho com o objetivo de influenciar ou impedir o voto de um trabalhador.
As práticas podem assumir diferentes formas: ameaças de demissão ou perda de função, promessa de benefícios, distribuição de material eleitoral com cobrança de adesão, pressão para comparecer a eventos de campanha e até exigências para que funcionários divulguem determinada candidatura em suas redes sociais.
O empregador também não pode utilizar escalas, transferências, contratações ou vantagens profissionais para premiar quem apoia determinado candidato ou punir quem se recusa a fazê-lo.
O voto é secreto e a relação de trabalho não pode ser utilizada para interferir na liberdade de escolha do eleitor.
Como denunciar assédio eleitoral
Trabalhadores que sofrerem ou presenciarem pressão política no ambiente profissional podem denunciar o caso ao Ministério Público do Trabalho.
O relato deve informar, sempre que possível, o nome da empresa ou órgão público, local e data dos fatos, pessoas envolvidas e a forma de pressão exercida. Mensagens, áudios, vídeos, fotografias e testemunhas também podem auxiliar na investigação.
A pessoa denunciante pode solicitar que sua identidade seja mantida em sigilo.
As denúncias podem ser feitas diretamente pelo portal do Ministério Público do Trabalho
Às vésperas do segundo turno, os 663 registros recebidos somente em outubro colocam novamente em evidência um princípio básico das eleições: o vínculo de emprego não dá ao empregador o direito de interferir no voto de quem trabalha.

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