Mulher agredida após ato de Flávio Bolsonaro quebra o silêncio: “Apanhei porque estava vestindo vermelho”

Mulher agredida após ato de Flávio Bolsonaro quebra o silêncio: “Apanhei porque estava vestindo vermelho”
- Missíl pedindo para Trump bombardear o Brasil em ato de Flávio Bolsonaro na Paulista (Miguel SCHINCARIOL AFP /...

A atriz e arte-educadora Mariana, agredida após um ato político de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo, falou publicamente pela primeira vez nesta quarta-feira (21). A mulher relatou que foi atacada por um casal no último domingo (18), na estação Butantã do metrô, por estar vestindo uma camisa vermelha. As informações são do Metrópoles.
Afastada das redes sociais havia dez anos, Mariana decidiu criar um perfil para denunciar a violência e contar como foi abordada enquanto aguardava um carro de aplicativo.
“Eu estava voltando para casa e apanhei porque estava vestindo vermelho”, afirmou.
Segundo a atriz, a confusão começou quando um casal passou a fazer comentários sobre “a lataria de quem vota”, em referência à roupa que ela vestia.
Ao questionar as provocações, Mariana passou a ser ofendida pelo homem.
“Ele começou a falar que eu era uma vagabunda, suja, que ao contrário de mim ele sustentava 80 famílias e pagava impostos. Eu nunca tinha visto aquelas pessoas na vida”, contou.
A discussão evoluiu para agressões físicas quando o homem se aproximou de maneira intimidatória. Mariana afirmou que tentou afastá-lo, mas acabou sendo atingida por socos.
“Aquele homem começou a me peitar como se a gente estivesse num ringue. Quanto mais ele se aproximava, mais acuada eu me sentia. Meu instinto foi empurrar ele, e foi quando ele partiu pra cima de mim e começou a desferir socos em mim. Acertou a minha cabeça e meu rosto”, relatou.
A mulher que acompanhava o agressor, identificada como Leda, também teria participado do ataque.
“De repente a mulher começou a puxar meus dreads para arrancar. Só que os dreads são o meu cabelo. Isso dói muito”, afirmou.
Agressor foi identificado
O homem apontado como responsável pela violência foi identificado pelo Metrópoles como Diogo Freire Estevão, proprietário de uma empresa de logística em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo.
A reportagem também revelou que, na mesma semana da agressão, a Justiça havia concedido uma medida protetiva em favor de outra mulher que teria sido ameaçada de morte pelo empresário.
A identificação de Diogo ocorreu após a divulgação de imagens do ataque, já que os policiais militares presentes no local não teriam registrado seu nome.
Vítima denuncia omissão policial
Mariana criticou a atuação de dois policiais militares que presenciaram a confusão e, segundo seu relato, permitiram que o agressor deixasse o local sem ser identificado.
A atriz também lamentou a falta de reação das pessoas que acompanhavam a cena. Ela contou que recebeu apoio de algumas jovens, incluindo a responsável pela gravação do vídeo, e de uma segurança do metrô que chegou posteriormente.
“Aquele lugar era um lugar lotado. A gente espera encontrar um resquício de humanidade. Mas, enquanto eu chorava, pessoas passavam por mim rindo da situação”, desabafou.
Ao comentar o episódio, Mariana associou o ataque à intolerância política e afirmou que sua presença foi suficiente para despertar a hostilidade dos agressores.
“A minha existência incomodou para aquelas pessoas se sentissem no direito de me violar verbalmente e fisicamente”, declarou.
https://x.com/demetriovec/status/2112925750839906329
 
 
 

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!