Advogado do caso Ana Clara diz temer pela vida e relata ação de Flávio Bolsonaro para proteger assassino

Advogado do caso Ana Clara diz temer pela vida e relata ação de Flávio Bolsonaro para proteger assassino
- O advogado Raphael Costa - Imagem: Instagram/Reprodução

O advogado Raphael Costa, ex-secretário de Direitos Humanos de Niterói, veio a público nesta quinta-feira (22) denunciar manobras políticas e jurídicas destinadas a garantir a impunidade do policial militar acusado de tirar a vida da pequena Ana Clara, de apenas cinco anos. No relato, Costa faz revelações graves: aponta a interferência direta do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e afirma temer pela própria integridade física devido à dimensão dos interesses envolvidos.
O episódio remonta ao ano de 2021, quando Ana Clara foi fatalmente atingida por um disparo de fuzil na porta da residência de sua família, na comunidade do Monan Pequeno, em Pendotiba, Niterói. O tiro partiu da arma de um agente da Polícia Militar apontado por ligações com grupos milicianos. À época no comando da pasta de Direitos Humanos do município, Raphael acompanhou o caso desde as primeiras horas. Ele recorda o choque ao receber a notícia, o deslocamento imediato até a cena do crime e a mobilização das autoridades locais para assegurar que o agente permanecesse detido preventivamente diante da gravidade dos fatos.
Bastidores de pressão e mudança na defesa
A indignação da família e das entidades de direitos humanos deu lugar à perplexidade poucos meses após o crime. A despeito da comoção e dos indícios apurados, o acusado obteve a liberdade provisória. Foi nesse momento que interlocutores influentes do meio político e jurídico revelaram a Raphael a existência de bastidores até então ocultos: um influente parlamentar federal estaria atuando fortemente nos bastidores para constranger instâncias da Polícia Civil e do Judiciário fluminense. O objetivo da articulação era evitar a responsabilização penal do agente e assegurar sua soltura. Esse parlamentar era o senador Flávio Bolsonaro.
Com o passar dos anos, o enredo institucional ganhou contornos ainda mais diretos. Em 2024, o que antes ocorria por meio de influência política informal tornou-se um ato explícito nos autos do processo. Flávio Bolsonaro passou a integrar formalmente a equipe de advogados de defesa do policial militar. A conduta visava impedir que o réu fosse levado a julgamento popular perante o Tribunal do Júri. Enquanto isso, mais de cinco anos após o assassinato da criança, o agente segue sem condenação definitiva.
Denúncia internacional e tensão eleitoral
Diante da paralisia do sistema de justiça local e do peso político exercido na defesa do acusado, Raphael Costa buscou instâncias internacionais. O advogado protocolou uma denúncia formal junto à Organização das Nações Unidas (ONU), detalhando as violações de direitos humanos e o uso de capital político para blindar agentes envolvidos em mortes violentas.
No depoimento recente, o advogado trouxe a público o desdobramento mais relevante dessa iniciativa. Ele revelou ter recebido uma comunicação oficial do organismo internacional confirmando que o caso será formalmente julgado na sede das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, até o dia 24 de dezembro. O julgamento avaliará a responsabilidade e as omissões do Estado brasileiro, bem como a conduta de autoridades envolvidas na proteção do réu.
O advogado encerra seu pronunciamento com uma reflexão sobre a gravidade do momento e a incerteza política que paira sobre o país, ressaltando que resta aguardar se, quando a decisão internacional for proferida na Europa, Flávio Bolsonaro responderá aos fatos na condição de investigado ou de Presidente da República eleito. A denúncia traz um forte elemento de comoção ao cenário eleitoral, recolocando no centro do debate público os limites da atuação de agentes políticos na tutela do sistema policial e a eterna busca de famílias periféricas por justiça.
Veja o vídeo:
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