Mesmo com dez anos ou mais acima da idade em que votar deixa de ser obrigatório (70 anos), idosos de 80 anos ou mais de todo o Brasil fazem questão de apertar o 13 na urna para garantir a manutenção da democracia e dos direitos e avanços sociais conquistados nos governos do PT.
A bióloga aposentada Regina Coeli Pinheiro, 80, vota no presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a primeira vez em que ele concorreu à presidência, em 1989.
“Mas eu acompanho a trajetória dele desde a época de sindicalista nos anos 1970. Sempre o admirei pela luta pelos direitos dos trabalhadores, falando nos pátios das fábricas, organizando greves. Já presidente, ele mudou a maneira de fazer política, implantou projetos sociais para combater a desigualdade, erradicar a fome e a pobreza e garantir inclusão e dignidade para os menos favorecidos. Vamos virar esta eleição no próximo domingo para continuar avançando e para evitar o retrocesso”, afirma.
Regina, que trabalhou muitos anos como professora, reforça que a educação ganhou destaque nos governos de Lula e do PT. “Houve criação de novas universidades e institutos federais e do Prouni (Programa Universidade para Todos), que garantiu o acesso ao ensino superior a estudantes de baixa renda, além de diversos outros programas e ações”, diz a bióloga, que mora em Belém (PA).
Para ela, votar aos 80 anos é uma questão de cidadania e, nestas eleições, de preservar a democracia e de definir o futuro que queremos para o Brasil. “Não podemos entregar o país para um sujeito [Flávio Bolsonaro] sobre o qual pesam tantas denúncias de corrupção e ilegalidades. Já vimos, com seu pai, o rastro de destruição e retrocesso, além do aumento do preconceito contra as minorias e da violência. Não queremos passar novamente por esse terror”.
O lavrador aposentado baiano Luiz Pereira Soares ganhou o apelido de Luiz PT – Foto: Arquivo Pessoal
Quem concorda é o lavrador aposentado Luiz Pereira Soares, 84, que, de tanto votar em Lula, ganhou o apelido de “Luiz PT”. “Desde a primeira candidatura, contra Collor de Melo, eu voto nele. Não deixei de votar nenhuma vez. Porque eu vi os projetos dele. Porque ele foi um torneiro mecânico e metalúrgico que virou presidente”, afirma o morador de Itaberaba, na Bahia.
Luiz diz não entender como pessoas das classes menos favorecidas não votam em Lula. “Como é que hoje a classe pobre deixa de votar em um candidato que olha para a pobreza e que deu o Bolsa Família, o Vale Gás, o desconto na conta de luz? Com isso tudo, ainda há uns que vão votar num homem desses [Flávio Bolsonaro] para perder todos os direitos que a gente conquistou. Por isso, é Lula 13”, dispara.
E manda um recado: “Eu digo para todos os meus colegas acima dos 80 anos, que nem eu, que, se vocês não tiveram a oportunidade de votar no primeiro turno, vão no segundo. Bora votar no homem [Lula]. Se a gente votar no outro, vão cortar o reajuste do salário mínimo. Como nós vamos sobreviver? Faça um esforço e vote”.
“Ser idoso não é motivo para se abster”
A professora aposentada Glória Aparecida da Silva Vieira, de São Paulo, defende um Brasil democrático e soberano – Foto: Arquivo Pessoal
Moradora de São Paulo, a professora aposentada Glória Aparecida da Silva Vieira, 80, também sempre votou em Lula. “Agora mais do que nunca. É importante reelegê-lo, porque quero que o Brasil continue sendo um país livre, democrático e soberano”, afirma.
Impossibilitada de votar no primeiro turno, devido a uma perna machucada, ela vai votar no próximo domingo. “Devemos votar apesar da idade, pois temos a obrigação de deixar para os futuros eleitores um país soberano e livre do fascismo existente aqui e no mundo. E também para não voltarmos para uma ditadura do jeito que tivemos. Lutamos muito para tornar este país democrático e termos uma nova Constituição. Não podemos voltar para aquele momento tão difícil da nossa história”, opina.
A professora carioca Laura da Silva Souza diz que ser idoso não é motivo para se abster de votar – Foto: Arquivo Pessoal
Já no Rio de Janeiro, a também professora aposentada Laura da Silva Souza, 84, diz que “Lula representa a continuidade da democracia, dos direitos adquiridos com a Constituição de 1988. Já o Flávio Bolsonaro representa tudo o que não queremos viver novamente. Ele é o retrocesso!”, sentencia.
Ela diz que “ser idoso não é motivo para se abster”. “Estamos em um período crítico, em que grupos que se acham os melhores e os certos estão criando as bases de poder para eles, fazendo com que a democracia e as muitas lutas que conseguimos estejam sendo ameaçadas, perpetuando-se no poder”.
E finaliza: “Vou votar, pois acho importante participar e me sentir participante do que está ocorrendo. Fui criada ouvindo que a nossa participação não é só um dever, mas um direito da democracia”.
Mesmo sem obrigação, idosos vão votar em Lula contra o retrocesso
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