A casa de R$ 10 milhões: a cobrança de Lula sobre patrimônio de Flávio Bolsonaro

A casa de R$ 10 milhões: a cobrança de Lula sobre patrimônio de Flávio Bolsonaro
- Mansão em Ilha Comprida que teve Flávio Bolsonaro como testemunha em disputa judicial (Instagram / Flávio...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter pedido à Polícia Federal (PF) que investigue a disputa por uma casa de R$ 10 milhões na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que envolve o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O caso ganhou repercussão após o atacante divulgar documentos sobre a aquisição do imóvel e acusar o grupo ligado ao advogado de ter tomado a posse da propriedade depois que ele recusou uma proposta de compra.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Lula questionou a rapidez com que os direitos de ocupação do imóvel foram transferidos para uma empresa ligada a Tomaz. O presidente também levantou dúvidas sobre a atuação de Flávio Bolsonaro no episódio.
“Aonde é que foi feito o trambique que tiraram do pai do bebê (Richarlison) uma ilha que ele tinha pagado R$ 10 milhões por ela?”, declarou Lula.
Como começou a disputa pela mansão
Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade, em conjunto com parceiros, a partir de 2020. Segundo documentos apresentados pelo jogador, parte do dinheiro foi usada para pagar antigos ocupantes, enquanto o restante foi destinado a obras e medidas de segurança.
O terreno, porém, pertence à União. Por isso, a controvérsia não envolve simplesmente a compra de uma propriedade privada: o que estava em discussão eram os direitos de ocupação da área e a regularização administrativa junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
Segundo o relato do jogador, o pedido de regularização apresentado por seu grupo ficou cerca de dez meses sem conclusão. Nesse intervalo, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz teriam visitado a mansão e demonstrado interesse no imóvel. Richarlison afirma que, depois de recusar a proposta de compra, viu a posse passar para o grupo ligado ao advogado.
A documentação reunida pelo UOL aponta que, em julho de 2022, a SPU alterou o cadastro da área, transferindo os direitos registrados em nome da empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos para a WT Administração de Imóveis e Bens S.A., ligada a Tomaz. O procedimento é um dos pontos que motivaram os questionamentos sobre a rapidez da transferência e a cadeia de posse do terreno.
Os registros apresentados por Richarlison indicam que a M Locadora estava com o CNPJ inapto desde 2018 e que seus antigos sócios haviam morrido antes de 1990. Já a documentação apresentada pelo advogado aponta uma cadeia de transferências administrativas reconhecidas pela União desde a década de 1970. A divergência sobre a origem dos direitos de ocupação está no centro do caso.
O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Willer Tomaz contesta a versão do jogador. O advogado afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação e sustenta que Richarlison comprou o imóvel de pessoas que não tinham legitimidade para negociá-lo. Em resposta pública, disse possuir escritura de compra e venda e afirmou que o grupo ligado a ele regularizou pendências relacionadas à área.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega ter comprado, vendido ou intermediado o imóvel e afirma não ter vínculo patrimonial com a mansão. O senador esteve no local em 2021 e foi arrolado como testemunha no processo judicial relacionado à disputa, mas não é parte da ação, segundo informações publicadas pelo UOL.
A disputa judicial também exige atenção. Uma ação relacionada ao caso foi extinta em outubro de 2025, sem julgamento do mérito, após a renúncia de uma das partes. O processo transitou em julgado e foi arquivado em janeiro de 2026.
Isso significa que o encerramento da ação não deve ser apresentado como uma decisão definitiva da Justiça sobre todas as acusações feitas pelos envolvidos.
Vídeos obtidos pelo Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum, mostram agentes fardados da Polícia Militar do Rio de Janeiro e homens portando armas longas, um deles com fuzil, após Willer Tomaz obter a posse da mansão de Ilha Comprida em maio de 2024.
Pedido de investigação
Além da cobrança pública de Lula, o coletivo Derrubando Muros apresentou representação ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação sobre a transferência dos direitos de ocupação. O grupo aponta possíveis irregularidades e defende que o caso seja examinado por envolver uma área pertencente à União.
A apuração deve esclarecer como ocorreu a mudança cadastral, quais documentos fundamentaram a transferência e se houve interferência indevida para beneficiar particulares. Até que esses pontos sejam esclarecidos pelas autoridades, as acusações devem ser tratadas como alegações, e não como crimes comprovados.
O pedido de Lula para que a PF investigue o episódio amplia a repercussão política da disputa em plena reta final da eleição presidencial. A questão central, agora, é esclarecer a origem dos direitos de ocupação da mansão, a regularidade dos procedimentos administrativos e a eventual participação de agentes públicos no caso.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!