Após o desafio feito pelo presidente Lula durante o debate entre os presidenciáveis na Band, no último domingo (18), Flávio Bolsonaro finalmente aceitou, nesta quinta-feira (22), assinar um acordo para autorizar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
O senador exigiu uma série de condições para abrir seus sigilos: foram 19 itens no total, protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre eles estavam o detalhamento completo das despesas sob a gestão do governo federal desde 2023, dados de aliados e familiares do presidente (como os assessores, os filhos e o ex-chefe de gabinete), o histórico de entradas no Palácio do Planalto e mais uma lista de investigações antigas, dados sobre o uso de aeronaves e movimentações de outras pessoas vinculadas ao partido.
A campanha de Lula aceitou todas as condições e entregou, na noite de quinta-feira (22), o malote de documentos físicos e digitais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O material continha procurações e autorizações formais assinadas digitalmente por Lula, seus familiares e representantes do Instituto Lula, que dão aval para que a Justiça Eleitoral requisite a quebra imediata e total de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos.
Em troca das condições, o PT exigiu a inclusão de dados da empresa Alcazar Holdings (sediada em Portugal e ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro). O advogado e Flávio estão envolvidos em um escândalo conjunto, e a PF suspeita que Flávio operava como usuário master da holding, que protocolou uma petição aceitando a abertura das contas.
Leia também: Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: entenda, em 7 pontos, a relação entre o senador e o advogado investigado pela PF – Revista Fórum
No entanto, algo curioso aconteceu: a defesa de Flávio Bolsonaro encaminhou suas autorizações oficiais fora do prazo estipulado, apenas no início da madrugada de sexta-feira (23), e o ministro André Mendonça, do TSE, decidiu que a Corte não vai atuar como intermediária dos dados.
Segundo o ministro, cabe a cada campanha divulgar as informações de forma voluntária e independente, se assim desejar.
A equipe jurídica do PT recorreu, cobrando que o Judiciário aja como “árbitro” isento para centralizar a papelada e publicá-la de forma unificada no portal DivulgaCandContas.
Já a campanha de Flávio convocou o ex-procurador da Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo) para analisar minuciosamente os documentos físicos e as assinaturas que Lula protocolou ainda na noite de quinta-feira, dentro do prazo estabelecido pelo desafio.
Flávio não abriu seus próprios sigilos, sob a justificativa de que precisaria primeiro analisar os de Lula e comprovar que “tudo foi integralmente cumprido”. Até a publicação desta matéria, horas antes do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo, nesta sexta-feira (23/10), a equipe do senador ainda não havia tornado nada público.
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!