O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou a favor de uma proposta que mantém a escala 6×1, mas garante dois dias de descanso por semana sem redução salarial, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, segundo o Partido dos Trabalhadores (PT). Ao mesmo tempo, ele apoia a PEC 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe um modelo alternativo à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com contratação por horas trabalhadas.
A proposta permite que o trabalhador escolha entre o regime tradicional da CLT e um modelo de jornada flexível, com remuneração proporcional às horas trabalhadas. Segundo o PT, a mudança pode provocar perdas salariais e enfraquecer a proteção coletiva dos trabalhadores.
A PEC também prevê negociação direta entre empregado e empregador, sem intermediação sindical. Nesse modelo, direitos como férias e décimo terceiro salário seriam calculados proporcionalmente à carga horária. A proposta, portanto, levanta questionamentos sobre a garantia de direitos trabalhistas e a proteção contra reduções salariais.
Em contrapartida, a proposta defendida pelo governo Lula prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso e preservar os salários. O objetivo é mudar a organização do trabalho sem diminuir a remuneração mensal.
O PT acusa Flávio Bolsonaro de adotar posições contraditórias sobre o tema. Segundo o partido, Rogério Marinho, coordenador da campanha do senador, apresentou em setembro emendas, destaques e um pedido de vista na CCJ contra o fim da escala 6×1. Apesar da resistência, o texto foi aprovado na comissão e seguiu para o plenário.
Segundo reportagem do Correio Braziliense, Flávio Bolsonaro também teria mais de 200 decretos preparados para assinar no início de um eventual mandato presidencial. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, as medidas incluiriam mudanças trabalhistas, além de ações nas áreas ambiental e econômica e a revogação de decretos do governo Lula.
A discussão ocorre em meio ao debate sobre a redução da jornada de trabalho e os efeitos de possíveis mudanças na legislação sobre os salários e os direitos dos trabalhadores.
Escala 6×1: Flávio Bolsonaro votou a favor, mas promete escala 7×0
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