A presença de Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, no debate presidencial da Globo desta sexta-feira (23), é uma das movimentações mais comentadas nos bastidores do confronto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A expectativa é de que Marcelo Freixo (PT-RJ) apresente Cristiane ao senador, que atuou como advogado do policial militar acusado de matar a criança. A presença da mãe no estúdio e o encontro, porém, ainda não tiveram confirmação pública independente.
Ana Clara Gomes Machado tinha apenas 5 anos quando foi morta por um tiro de fuzil, em fevereiro de 2021, durante uma operação policial na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). O cabo Bruno Dias Delaroli foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pelo homicídio da criança.
O envolvimento de Flávio Bolsonaro no caso ganhou repercussão durante a campanha presidencial. Em 2024, quando já ocupava uma cadeira no Senado, o parlamentar integrou a defesa do PM e assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinava o julgamento do policial pelo Tribunal do Júri.
O pedido foi rejeitado pelo STJ. O policial continua sem julgamento, atualmente previsto para 5 de maio de 2027.
Na quarta-feira (21), Freixo divulgou uma conversa com Cristiane sobre a morte da filha e a atuação do senador na defesa do acusado. A mãe cobra justiça e questiona a demora para que o caso seja levado a julgamento.
A repercussão aumentou depois que Lula mencionou o episódio durante o debate da Band, no domingo (18). Questionado sobre sua participação na defesa do policial, Flávio afirmou que a advocacia não deveria ser criminalizada.
Em entrevista à Agência Pública, Cristiane relatou o sofrimento provocado pela demora da Justiça e disse que a reação do senador no debate havia sido desesperadora. A mãe também contou que sofreu ameaças depois que o caso ganhou projeção nacional.
Mãe de Ana Clara, morta por PM defendido por Flávio, vai ao debate da Globo
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