Lula vai criar novo imposto IVA? Na verdade, Lula vai cortar dois impostos

Lula vai criar novo imposto IVA? Na verdade, Lula vai cortar dois impostos
Governo Lula deve mudar políticas de impostos até 2033 - Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert

A reforma tributária do governo Lula não cria simplesmente um imposto novo. A mudança substitui cinco tributos sobre o consumo por dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), destinado a estados e municípios. Juntos, eles formarão um modelo chamado IVA dual, que busca simplificar a cobrança de impostos no Brasil.
A mudança foi regulamentada pela Lei Complementar 214, sancionada em 16 de janeiro de 2025. A implementação será gradual, com início dos testes em 2026, cobrança efetiva da CBS em 2027 e conclusão da transição prevista para 2033.
Os cinco tributos que serão substituídos são PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Os três primeiros são federais, o ICMS é estadual e o ISS é municipal. Com o novo sistema, os impostos serão cobrados sobre o valor agregado em cada etapa da produção e da comercialização, permitindo descontar valores pagos anteriormente e reduzindo a cobrança de imposto sobre imposto.
Em 2026, empresas testarão o novo modelo e informarão os valores de CBS e IBS nas notas fiscais, sem recolhimento efetivo desses tributos. A cobrança da CBS começa em 2027, enquanto o IBS terá alíquotas reduzidas nos primeiros anos e será implementado gradualmente até 2033.
A alíquota total dos dois tributos poderá ficar próxima de 28%, segundo estimativas citadas no debate sobre a reforma. O percentual definitivo dependerá das regras de cálculo e das exceções previstas na legislação.
Um dos objetivos da mudança é acabar com a chamada guerra fiscal, em que estados oferecem benefícios tributários para atrair empresas. Com a reforma, a cobrança será transferida gradualmente para o local de consumo dos bens e serviços, em vez de se concentrar na origem da produção.
A lei também prevê medidas sociais, como a isenção de impostos para produtos da cesta básica nacional e a devolução de parte dos tributos, por meio do cashback, para famílias de baixa renda.
Defensores da reforma afirmam que a simplificação pode reduzir a burocracia, combater a sonegação e melhorar o ambiente de negócios. Os efeitos sobre a carga tributária e a economia, porém, dependerão da implementação das novas regras e do funcionamento do sistema ao longo da transição.

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