O jornalista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou diretamente Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno das eleições presidenciais. Em publicação neste sábado (24), a um dia da votação, Assange relembrou os 1.901 dias que passou preso no Reino Unido, destacou a atuação de Lula em defesa de sua liberdade e acusou os Bolsonaro de omissão.
Na mensagem publicada em seu perfil no X, Assange contrapôs o tratamento que recebeu de Lula à postura de Jair e Flávio Bolsonaro. “Fora do poder, Lula lutou pela minha liberdade. No poder, Lula discutiu minha perseguição com o Papa Francisco, que decidiu se reunir com minha família e oferecer ajuda”, escreveu, segundo a tradução automática apresentada pela plataforma.
O fundador do WikiLeaks também recordou o encontro que teve com o presidente brasileiro em Roma, em abril de 2025. “Após minha libertação, Lula e eu nos encontramos em Roma para lamentar a morte do Santo Padre. Lula foi gentil com meus filhos e não pediu nada em troca”, afirmou.
Na sequência, dirigiu suas críticas à família Bolsonaro. “Em contraste, Jair e Flávio Bolsonaro não fizeram nada e não disseram nada.”
Assange apoia Lula e critica submissão a Washington
Assange abriu a publicação lembrando as informações divulgadas pelo WikiLeaks sobre operações militares e atividades de inteligência dos Estados Unidos. Segundo ele, as revelações também envolveram práticas de espionagem direcionadas ao Brasil e a setores de sua economia.
“Fui mantido em solitária por 1.901 dias por revelar a verdade sobre os assassinatos e a espionagem do governo dos EUA, incluindo contra o Brasil e suas indústrias”, declarou.
O jornalista também criticou o alinhamento político de governos estrangeiros aos interesses de Washington e de Israel. “Sem a capacidade de dizer não a Washington e Tel Aviv, não pode haver política doméstica, apenas instruções estrangeiras”, afirmou.
Na parte final da mensagem, Assange apresentou uma crítica contundente à exploração econômica e à tolerância com a morte de crianças em conflitos internacionais. Na avaliação dele, governos submetidos a interesses externos acabam abrindo mão de decisões soberanas sobre seus próprios países.
A manifestação ocorre às vésperas do segundo turno, marcado para domingo (25), no qual Lula disputa a Presidência da República com o senador Flávio Bolsonaro.
O encontro entre Lula e Assange em Roma
A relação entre Lula e Assange ganhou um novo capítulo em 25 de abril de 2025, quando os dois se encontraram em Roma, na Itália. O presidente brasileiro estava no país para participar das cerimônias de despedida do papa Francisco.
Na ocasião, Lula divulgou fotografias da reunião e destacou a atuação do pontífice em defesa da liberdade de expressão. O encontro foi registrado pela Revista Fórum, que mostrou a importância do papa Francisco na aproximação entre Lula e Julian Assange.
Francisco havia recebido Stella Assange, esposa do jornalista, e outros integrantes de sua família no Vaticano em 30 de junho de 2023. A audiência foi confirmada oficialmente pela Santa Sé.
Ao divulgar o encontro de 2025, Lula afirmou que a audiência do papa com a família havia dado novo impulso à mobilização pela libertação do australiano. O presidente também classificou Assange como um exemplo para aqueles que defendem a liberdade de imprensa e os direitos humanos.
A prisão de Julian Assange e a defesa de Lula
Fundador do WikiLeaks em 2006, Assange ganhou projeção internacional com a divulgação de documentos diplomáticos e militares sigilosos dos Estados Unidos, incluindo registros relacionados às guerras do Iraque e do Afeganistão.
Depois de permanecer quase sete anos refugiado na embaixada do Equador em Londres, o australiano foi preso em abril de 2019 e levado à penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, no Reino Unido. Passou 1.901 dias encarcerado enquanto enfrentava um processo de extradição solicitado pelos Estados Unidos.
Assange deixou a prisão em junho de 2024, após um acordo com a Justiça norte-americana pelo qual se declarou culpado de uma acusação relacionada à obtenção e divulgação de informações sigilosas de defesa nacional. A pena reconheceu o período que ele já havia cumprido, permitindo seu retorno à Austrália.
Durante o período de prisão, Lula defendeu publicamente sua libertação em diferentes ocasiões. Em 2023, chegou a questionar por que um jornalista responsável por divulgar informações sobre práticas de governos estrangeiros permanecia encarcerado.
Quando Assange foi libertado, em junho de 2024, o presidente brasileiro comemorou o desfecho e classificou sua soltura como uma vitória democrática e da liberdade de imprensa.
Agora, na véspera da decisão presidencial de 2026, Assange retoma essa trajetória para agradecer a Lula e estabelecer uma comparação pública com Jair e Flávio Bolsonaro.
Assange apoia Lula e ataca Jair e Flávio Bolsonaro: “Não fizeram nada”
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