Deslizes de Flávio Bolsonaro no debate da Globo impulsionam Lula entre eleitores indecisos, revela estudo

Deslizes de Flávio Bolsonaro no debate da Globo impulsionam Lula entre eleitores indecisos, revela estudo
Lula no debate da Globo - Foto: Ricardo Stuckert

Uma pesquisa qualitativa realizada pelo instituto Travessia a pedido do Estadão, na noite de sexta-feira (23), acompanhou em tempo real a reação de eleitores indecisos ao último debate presidencial de 2026, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O resultado: cinco dos seis indecisos saíram do encontro inclinados a votar no presidente, puxados não por convicção positiva, mas pela acumulação de deslizes do senador ao longo do confronto.
Debate final e a reação dos indecisos
O último debate presidencial de 2026 não produziu entusiasmo entre quem ainda não havia decidido o voto. Segundo a pesquisa qualitativa do instituto Travessia, encomendada pelo Estadão, foram raros os elogios a qualquer um dos candidatos por parte dos participantes indecisos. A disputa pelos votos em aberto foi resolvida, na prática, pelos tropeços de Flávio Bolsonaro.
Conduzida pelo cientista político Renato Dorgan, CEO do instituto Travessia, a pesquisa indicou que cinco dos seis participantes indecisos saíram do debate mais inclinados a votar em Lula, enquanto uma participante permaneceu indecisa. Os eleitores já comprometidos com Lula ou com Flávio não alteraram suas posições. “Ninguém disse que Lula foi bem. Ele não ganhou o debate. Flávio foi quem perdeu”, afirmou Dorgan ao Estadão.
Os ‘deslizes’ de Flávio Bolsonaro
A vantagem de Lula entre os indecisos veio, segundo Renato Dorgan, da capacidade do presidente de “surfar nos erros” do adversário. Dois momentos específicos concentraram as reações mais negativas do grupo.
O primeiro foi a resposta de Flávio Bolsonaro sobre a morte da menina Ana Clara Gomes Machado, atingida por disparo de fuzil atribuído a um policial para quem o senador atuou como advogado. Ao confundir o nome da mãe da menina com o da filha, Flávio gerou indignação generalizada: a maioria dos participantes, exceto seus próprios eleitores, ergueu cartões vermelhos. Um participante indeciso manteve o cartão vermelho erguido durante toda a fala do senador, em gesto de protesto contínuo.
O segundo momento foi quando Flávio se referiu a Lula como “nove dedos”. A provocação arrancou risos iniciais, mas a reação do grupo mudou quando o presidente rebateu, lembrando que perdeu o dedo em um acidente de trabalho. O episódio, segundo a pesquisa, reverteu o efeito da piada entre os indecisos.
Metodologia da pesquisa e suas limitações
A pesquisa reuniu 12 eleitores em uma “sala de espelho” na Vila Mariana, zona sul de São Paulo: seis indecisos, três declarantes de voto em Flávio Bolsonaro e três em Lula. O grupo acompanhou o debate ao vivo e comentou as falas dos candidatos em tempo real, usando cartões coloridos para registrar reações: verde para aprovação, amarelo para neutralidade e vermelho para reprovação. Os participantes eram moradores de São Paulo, das classes B, C e D, residentes em bairros das zonas Sul, Leste e Oeste da cidade.
O instituto Travessia ressalta que a pesquisa qualitativa tem caráter analítico e não possui rigor estatístico, portanto não equivale a um levantamento de intenção de voto. O método é amplamente utilizado por campanhas eleitorais para identificar percepções e reações a eventos específicos, mas seus resultados não podem ser extrapolados para o conjunto do eleitorado.

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