Apoiadores de Flávio Bolsonaro mandam mãe de Ana Clara calar a boca durante debate da Globo

Apoiadores de Flávio Bolsonaro mandam mãe de Ana Clara calar a boca durante debate da Globo
- Cristiane Gomes da Silva durante debate da Globo/Foto: Reprodução de Vídeo

A mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil em Niterói (RJ), foi hostilizada por apoiadores e integrantes da comitiva de Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial da TV Globo, na noite de sexta-feira (23). Cristiane Gomes da Silva ouviu pessoas do grupo do candidato mandarem que ela calasse a boca depois de reagir a uma declaração do senador sobre o caso da filha.
O episódio ocorreu durante o confronto entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições de 2026, e provocou um dos momentos mais tensos da transmissão. Cristiane estava na primeira fileira da plateia, a convite da campanha petista, e vestia uma camiseta com um pedido de justiça por Ana Clara.
Ao se dirigir ao público, Flávio tentou falar com Cristiane, mas a chamou pelo nome da própria filha. A mãe reagiu imediatamente: “Ela morreu!”. Em seguida, contestou a versão apresentada sobre as circunstâncias da morte da menina, questionando as alegações de que teria ocorrido um confronto armado.
A reação provocou um tumulto na plateia. Em vez de encerrar a discussão, integrantes e apoiadores da comitiva do PL passaram a hostilizar Cristiane e mandaram que ela se calasse. Relatos de jornalistas que acompanharam os bastidores apontaram que o grupo de apoio ao senador manteve uma postura ruidosa durante o debate, com manifestações de deboche.
Nos intervalos, Cristiane também criticou diretamente o candidato e chegou a chamá-lo de “monstro”, em razão de sua atuação na defesa do policial militar acusado pela morte da filha.
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Morte de Ana Clara é tema da campanha
Ana Clara Gomes Machado morreu em fevereiro de 2021, aos 5 anos, depois de ser atingida por um tiro de fuzil na porta de casa, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
O Ministério Público acusa o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli de ter efetuado o disparo que matou a criança. O caso ganhou destaque na campanha presidencial de 2026 porque Flávio Bolsonaro atuou de graça como advogado do policial e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir que o agente fosse submetido a júri popular. O pedido foi rejeitado pela Corte.
A campanha de Lula passou a utilizar a atuação jurídica do senador para questionar suas posições sobre segurança pública e violência policial. A presença de Cristiane no debate reforçou o peso político do caso e levou o confronto entre os candidatos para além das discussões sobre propostas de governo.

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