Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação da votação; agora, alega manobra

Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação da votação; agora, alega manobra
Flávio Bolsonaro, que pediu ao TSE a prorrogação da votação - Flávio Bolsonaro no debate da TV Globo - Imagem:...

Antes de acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de mudar as regras da eleição e anunciar que tentará anular a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) pediu oficialmente a prorrogação da votação até as 19h. Não foi apenas um pedido: duas petições apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda durante o segundo turno de domingo (25), mostram que o candidato também queria adiar o início da divulgação dos resultados presidenciais.
Os documentos, aos quais a reportagem teve acesso, foram assinados eletronicamente às 15h26 e às 15h42 pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica do candidato. Ambos foram dirigidos ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e abrangiam municípios de cinco estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Na noite de domingo, depois da confirmação da vitória de Lula, Flávio anunciou que não reconheceria o resultado e recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição. A justificativa apresentada foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que havia permitido a continuidade da votação até as 19h nas seções ainda abertas. A Fórum noticiou a reação do candidato derrotado.
Flávio Bolsonaro pediu prorrogação da votação em cinco estados
O primeiro requerimento, registrado sob o número 0603393-64.2026.6.00.0000, solicitava a prorrogação do horário em dez municípios paulistas, incluindo a capital, Jundiaí, Itapevi e Americana; dois municípios paranaenses, Curitiba e Guaratuba; e cinco cidades catarinenses.
O segundo, de número 0603394-49.2026.6.00.0000, estendia a solicitação a Belo Horizonte, Poços de Caldas e municípios da Região Metropolitana da capital mineira afetados por falta de energia, além de São Borja, Itaqui e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.
Os pedidos mencionavam chuvas intensas, alagamentos, bloqueios de vias, deslizamentos e interrupções no fornecimento de energia como justificativas para ampliar o período de votação.
Em ambos os documentos, a defesa de Flávio sustentou que o objetivo era garantir o exercício do voto aos eleitores impedidos de chegar às seções por circunstâncias climáticas. Os advogados alegaram que a medida não buscava vantagem para nenhuma candidatura, mas a participação plena do eleitorado.
Flávio Bolsonaro também queria adiar divulgação dos resultados
Outro trecho das petições evidencia a contradição com o discurso adotado pelo candidato depois da derrota. A defesa de Flávio reconheceu expressamente que a medida poderia atrasar em até duas horas a divulgação do resultado presidencial e considerou esse efeito aceitável.
Na fundamentação apresentada ao TSE, os advogados escreveram:
“O custo da medida é conhecido e limitado: atraso de até duas horas no início da divulgação dos resultados da eleição presidencial, sem qualquer prejuízo à recepção e à totalização dos boletins das seções encerradas às 17h.”
Não se tratava apenas de reconhecer essa possibilidade. No item “g” dos pedidos, a defesa requereu expressamente que a divulgação dos resultados da eleição presidencial começasse somente depois do encerramento da votação nos locais abrangidos.
Os dois documentos podem ser consultados no sistema oficial da Justiça Eleitoral: primeiro requerimento, sobre São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e segundo requerimento, sobre Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Após derrota para Lula, Flávio questiona mudança que também solicitou
Apesar dos pedidos apresentados por sua própria defesa, Flávio Bolsonaro mudou o tom após a confirmação da vitória de Lula. Em pronunciamento na noite de domingo, o senador afirmou que era impossível reconhecer o resultado e anunciou que acionaria sua equipe jurídica para tentar invalidar o pleito.
“Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo”, declarou o candidato derrotado, ao responsabilizar o ministro Cristiano Zanin pela prorrogação.
Flávio alegou que a decisão representou quebra de isonomia entre eleitores de diferentes localidades. O coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), também criticou a intervenção do STF e falou em possível golpe judicial e manobra administrativa.
Existe uma distinção entre os procedimentos: os requerimentos apresentados por Flávio ao TSE buscavam uma extensão localizada, principalmente por problemas causados pelas chuvas. A decisão de Zanin ocorreu em outro procedimento, impulsionado por denúncias de dificuldades de transporte de eleitores e com abrangência inicialmente nacional.
O próprio TSE esclareceu posteriormente que a prorrogação só seria aplicada às seções que ainda não haviam encerrado a votação às 17h. As urnas já fechadas não seriam reabertas, e a totalização dos votos seria retomada depois das 19h. A explicação foi divulgada em nota oficial da Justiça Eleitoral.
A Fórum também explicou os limites estabelecidos pelo STF e pelo TSE para a aplicação da medida.
Os documentos demonstram, portanto, que a ampliação do horário de votação e o adiamento da divulgação dos resultados, posteriormente utilizados por Flávio para contestar o segundo turno, já constavam de solicitações formuladas pela própria defesa do candidato antes do encerramento das urnas.

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