TSE desmente Flávio Bolsonaro sobre expulsão de fiscais do PL da sala-cofre

TSE desmente Flávio Bolsonaro sobre expulsão de fiscais do PL da sala-cofre
Flávio Bolsonaro após ser derrotado por Lula nas eleições - Foto: Pablo PORCIUNCULA / AFP

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu, na noite do domingo (25), a declaração do senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de que fiscais do seu partido teriam sido retirados da sala-cofre da Corte durante a apuração das eleições 2026. O TSE classificou a afirmação como falsa, esclareceu que o espaço não é aberto a nenhuma visitação e apresentou registros de presença e filmagens que comprovam o acesso dos representantes do PL às áreas destinadas à fiscalização. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 51,79% a 48,21%, Flávio não reconheceu o resultado e anunciou que pedirá a anulação da votação.
A alegação de Flávio Bolsonaro
Em discurso rápido após a proclamação do resultado, Flávio Bolsonaro lançou uma acusação grave e sem provas. “Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa decisão foi tomada. Então tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora nessas eleições”, afirmou o senador.
A declaração veio acompanhada da recusa em reconhecer a vitória de Lula e do anúncio de que o PL acionará a Justiça para tentar anular a votação. Flávio também atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar por duas horas o horário de encerramento da votação, chamando-a de interferência inaceitável de um “ex-advogado do Lula” sobre a Justiça Eleitoral. O detalhe que Flávio omitiu: a própria campanha do PL havia solicitado a extensão do horário em alguns municípios, assim como o PT.
A resposta do TSE
O TSE foi direto ao ponto: a afirmação de Flávio Bolsonaro é falsa. Em nota, o Tribunal explicou que a sala-cofre não é um espaço aberto à visitação, por nenhuma parte, em nenhuma circunstância. A fiscalização do processo eleitoral ocorre em outras dependências da Corte, especificamente criadas para esse fim.
Segundo o TSE, dois fiscais do PL estiveram presentes na sede do Tribunal durante todo o domingo e acompanharam o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo do prédio, além da totalização dos votos e da divulgação dos resultados na Sala de Totalização. Os representantes do partido também visitaram a Sala dos Partidos Políticos, no 5º andar. “Há registro de presença nos locais visitados, além de filmagem na Sala de Totalização, que comprovam o acesso livre dos fiscais às unidades do TSE”, afirmou o Tribunal em nota.
 
“A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação. Todas as demais unidades e áreas do Tribunal, como a Sala de Totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros, que acompanham, de lá, desde o início, a totalização e a divulgação dos resultados do pleito.”
 
Contexto da desinformação
A acusação de Flávio se encaixa num padrão já conhecido de questionamento sistemático do processo eleitoral por figuras ligadas à campanha derrotada, mesmo quando os fatos apontam na direção oposta. O próprio ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral” ao anunciar o resultado. A Procuradoria-Geral da República também reconheceu a validade e a segurança do pleito.
A narrativa sobre os fiscais expulsos foi rapidamente amplificada por redes bolsonaristas antes de qualquer verificação, seguindo o mesmo roteiro de 2022: lançar a suspeita, mobilizar a base e criar fatos políticos a partir de alegações sem respaldo. O objetivo não é provar uma fraude nos tribunais, onde as evidências são exigidas. É semear a desconfiança nas instituições e manter a disputa política acesa mesmo após a decisão das urnas.

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