Polícia Federal vai investigar boicote de ônibus em Salvador no segundo turno

Polícia Federal vai investigar boicote de ônibus em Salvador no segundo turno
- Ônibus parados em garagem de Salvador - Foto: Manu Dias/Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia (Govba)

A Justiça determinou que a Polícia Federal (PF) investigue a possível redução de mais de 50% da frota de ônibus em Salvador, Bahia, neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições.
Vídeos feitos por drones registraram ônibus parados em garagens da capital baiana ao longo do dia, enquanto eleitores enfrentavam dificuldades para chegar às urnas. A apuração busca identificar quem ordenou a paralisação dos veículos e se houve intenção deliberada de embaraçar o exercício do voto.
A ordem cita possíveis crimes eleitorais, entre eles impedir ou embaraçar o exercício do voto e desobedecer a uma determinação judicial.
O fato deliberado, se comprovado, configura ataque direto ao direito ao voto, especialmente de quem depende do transporte público para chegar às urnas.
As imagens de drones, feitas pela manhã do domingo (25), mostraram que ao menos 75 veículos do transporte público de Salvador foram impedidos de sair. Porém, este número não foi atualizado oficialmente, e outros levantamentos realizados ao longo do dia apontam quantidades bem maiores.
Uma fiscalização da PF em uma garagem registrou redução de 42,1% da frota, com 53 veículos a menos em circulação em relação a um dia comum; já o Procon identificou 944 ônibus parados em garagens das empresas OT Trans e Integra Plataforma.
A prefeitura atribuiu a paralisação a uma manifestação de pessoas ligadas ao Sindicato dos Rodoviários, citando adesivos com o número da campanha de Lula colados em ônibus, prática proibida pela legislação eleitoral.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou que, ao perceber o atraso causado pela retirada dos adesivos, a gestão municipal determinou a liberação da frota. Ainda assim, relatos indicam que a circulação de veículos seguiu baixa ao longo da tarde.
Diante da escassez de transporte, moradores organizaram caronas solidárias em pontos da cidade, com vídeos dos motoristas em fila para ajudar eleitores que não conseguiam chegar aos locais de votação.
O que pode acontecer
Ainda no domingo (25), o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) decretou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A medida não foi cumprida porque ele se encontrava em Paris, na França.
Na segunda-feira (26), o próprio TRE revogou a ordem de prisão, mas deixou explícito que a revogação não representa absolvição: os fatos continuarão sendo investigados e, caso algum crime seja comprovado, as medidas legais cabíveis serão adotadas.
Para garantir a preservação das provas, o TRE determinou que, nas próximas 48 horas, a Prefeitura de Salvador, a Secretaria Municipal de Mobilidade e as empresas concessionárias apresentem e preservem todos os documentos relacionados à operação dos ônibus no dia da votação.
Sem o rastro documental da operação, torna-se mais difícil identificar quem autorizou, ou deixou de impedir, a paralisação dos veículos em um dia em que o transporte público é condição concreta para o exercício do voto.

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