Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro que escondeu Fabrício Queiroz em sua propriedade em Atibaia (SP), esteve com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta segunda-feira (26), horas depois de o senador ser intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O encontro ocorreu no condomínio onde Flávio mora, em Brasília, horas antes da divulgação de uma reportagem do site argentino Infobae sobre possível fuga do filho de Jair Bolsonaro pela fronteira com a Argentina, de onde teria seguido para os Estados Unidos em um jatinho particular.
A Polícia Federal passou a rastrear pontos de fronteira e voos entre Brasil e Argentina para verificar a informação. Até o momento, não há confirmação de que Flávio tenha deixado o país.
A presença de Wassef chama atenção pelo histórico do advogado, que já atuou na defesa de Flávio no caso das rachadinhas e foi responsável por abrigar Fabrício Queiroz. Ex-assessor do senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Queiroz foi preso em junho de 2020 em um imóvel do advogado em Atibaia, no interior paulista.
O homem que escondeu Queiroz
Frederick Wassef é um velho conhecido da família Bolsonaro e esteve no centro de um dos episódios mais emblemáticos do escândalo das rachadinhas.
Em 18 de junho de 2020, Fabrício Queiroz, apontado pelas investigações como operador do suposto esquema de recolhimento de parte dos salários de funcionários do gabinete de Flávio na Alerj, foi preso pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em uma propriedade pertencente a Wassef, em Atibaia.
O episódio provocou uma crise política para Jair Bolsonaro, então presidente da República, e seu filho mais velho. Antes da prisão, Wassef havia negado publicamente saber onde Queiroz estava. A descoberta do ex-assessor no imóvel do advogado expôs a relação entre o núcleo jurídico da família Bolsonaro e um dos principais investigados no caso.
O processo das rachadinhas acabou arquivado depois que decisões judiciais anularam provas utilizadas na investigação. Wassef continuou próximo dos Bolsonaro. No domingo (25), esteve entre os aliados que acompanharam Flávio durante a apuração do segundo turno presidencial, encerrado com a vitória de Lula, por 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
Visita após decisão de Moraes
A reunião desta segunda-feira ocorreu em um momento particularmente delicado para Flávio. Derrotado nas urnas, o senador foi intimado pela Polícia Federal a cumprir uma decisão de Alexandre de Moraes que restringiu sua saída do Brasil e determinou a entrega de documentos de viagem.
A medida foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador, por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Moraes também proibiu Flávio de manter contato com Willer, que deixou o Brasil e passou a viver nos Estados Unidos. O senador reagiu à decisão em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmando que nunca havia planejado deixar o país e que entregaria seus passaportes.
Jatinho na fronteira
Na madrugada desta terça-feira (27), o Infobae publicou que Flávio Bolsonaro poderia ter atravessado a fronteira brasileira com a Argentina utilizando seu documento de identidade.
Segundo o portal, o senador teria seguido para Puerto Iguazú, na província de Misiones, onde estava prevista a partida de uma aeronave particular para os Estados Unidos.
O avião identificado pela reportagem é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly S.A.
De acordo com o Infobae, a empresa havia solicitado procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. O horário previsto para a decolagem era 2h da madrugada desta terça-feira.
O portal apresentou registros da chegada da aeronave a Puerto Iguazú, procedente de Buenos Aires.
A presença do avião no aeroporto, entretanto, não comprova que Flávio estivesse entre os passageiros, nem que o voo para os Estados Unidos tenha sido realizado.
Wassef, que escondeu Queiroz, esteve com Flávio Bolsonaro antes de possível fuga pela Argentina
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