A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Lula (PT) no segundo turno, sua fuga para os Estados Unidos e as declarações golpistas do senador nos dias seguintes expuseram um isolamento imposto não só por partidos e atores políticos, mas também por líderes evangélicos que o apoiaram. Nesta quarta-feira (28), o bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, publicou no Instagram que “as eleições terminaram” e rechaçou qualquer ideia de contestação, enquanto Flávio desembarcava em Miami e divulgava uma carta em que se autoproclamava presidente. Nos bastidores, o pastor Silas Malafaia, que publicamente defendeu a viagem do senador, disparou contra os filhos de Jair Bolsonaro em mensagens privadas de WhatsApp.
JB Carvalho se distancia do golpismo
O bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, a igreja de Brasília onde Flávio Bolsonaro se batizou em 2024, publicou nesta quarta-feira (28) uma mensagem no Instagram que soou como recado direto ao senador. “As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!”, dizia a imagem compartilhada pelo religioso. Na legenda, Carvalho foi além:
“Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos. Deus dará a cada um segundo suas obras. E Ele terá misericórdia do Brasil”.
A manifestação ocorreu três dias após a vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno. Antes mesmo da viagem do senador para os Estados Unidos, Carvalho já havia legendado com um “vida que segue” a imagem do mapa do Brasil sobre uma mão que remete à figura de Deus, acrescentando que “Jesus continua no trono” e que o país ainda verá “um avivamento”. O distanciamento do bispo em relação ao discurso de contestação é significativo: um dos pastores da Comunidade das Nações, Pedro Leite, esteve ao lado de Flávio durante a apuração dos votos que o colocaria atrás do rival petista.
Críticas de Malafaia e a carta golpista de Flávio
Enquanto Carvalho pregava resignação, Silas Malafaia vivia uma contradição entre o discurso público e o tom dos bastidores. Segundo apuração do jornal O Globo, o pastor enviou mensagens pelo WhatsApp a aliados chamando os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos” e “um bando de amadores babacas”. “Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu Malafaia. Procurado, ele não quis comentar o conteúdo das mensagens.
A irritação tinha endereço certo: a carta golpista de Flávio circulou em quatro versões diferentes ao longo desta quarta-feira. Nas primeiras, divulgadas por aliados, o senador se autoproclamava “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Um dos documentos chegou a exibir um brasão antigo da República com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, escrita com z, que foi substituído em versão posterior pelo brasão da “República Federativa do Brasil”. Após publicar o texto em sua própria conta no X, Flávio fez nova alteração e retirou a autoproclamação presidencial, passando a se apresentar como “líder do Brasil”. A sequência de mudanças sintetiza a trajetória errática do senador desde a noite da eleição: primeiro anunciou que pediria a anulação do pleito, depois migrou para a tese de abuso de poder pela chapa vencedora e, por fim, fugiu para Miami com esposa e filhas.
Pastor de Flávio Bolsonaro rechaça carta golpista do foragido: “Pare de profetizar o caos”
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