Governo envia comitiva ao MS após ameaças de morte contra indígenas

Governo envia comitiva ao MS após ameaças de morte contra indígenas
- Rovena Rosa/Agência Brasil

O governo federal enviará uma comitiva a Dourados, em Mato Grosso do Sul, nesta sexta-feira (30), após denúncias de ameaças de morte e ataques contra comunidades indígenas desde o segundo turno das eleições presidenciais. A deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP) integra a delegação, que deixará Brasília às 18h para acompanhar as medidas de proteção aos povos originários.
A missão contará com representantes dos ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Direitos Humanos e da Cidadania e dos Povos Indígenas
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminhou ao Ministério Público Federal denúncias de episódios de violência em diferentes municípios sul-mato-grossenses. Entre os relatos estão atropelamentos em Coronel Sapucaia e ameaças contra moradores de Tacuru e Nioaque.
A entidade também recebeu cinco áudios com ameaças racistas, incluindo referências ao uso de armas de fogo e ao envenenamento da água consumida pelas comunidades.
As intimidações começaram a circular após a votação de domingo (25). Uma das suspeitas investigadas é que os episódios estejam relacionados à reação de apoiadores da candidatura derrotada ao resultado das urnas.
Em ofícios encaminhados ao Ministério da Justiça e ao MPF, Guajajara e a bancada do PSOL solicitaram providências urgentes para garantir a segurança dos indígenas.
Os parlamentares também cobraram a apuração de possíveis omissões policiais, diante de relatos de demora ou ausência de atendimento às vítimas.
O MPF abriu investigações sobre as denúncias e determinou que a Prefeitura de Tacuru prestasse esclarecimentos sobre ameaças atribuídas a servidores municipais. O órgão recomendou o afastamento cautelar de eventuais envolvidos, caso sejam encontrados indícios consistentes.
Em Naviraí, onde inicialmente circularam denúncias de assassinatos motivados por conflitos políticos contra indígenas, o MPF informou que as apurações não confirmaram a versão divulgada e identificaram informações falsas associadas ao episódio.
A suspeita de contaminação da água das comunidades também não foi confirmada. As investigações sobre as ameaças continuam.

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