Boulos denuncia violência contra indígenas após eleições: “Brasil não é terra sem lei”

Boulos denuncia violência contra indígenas após eleições: “Brasil não é terra sem lei”
- Guilherme Boulos - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A onda de violência registrada após as eleições de 2026 também atingiu comunidades indígenas. O ministro Guilherme Boulos (PSOL) repercutiu nas redes sociais denúncias de ataques e ameaças contra povos indígenas, incluindo uma mensagem que sugeria envenenar a água consumida por famílias Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul.
A denúncia sobre a água foi divulgada por organizações indígenas e ganhou repercussão nacional. O caso ocorreu em Tacuru (MS), onde um servidor municipal foi afastado após sugerir, em uma mensagem de WhatsApp, a contaminação da água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró.
A gravidade é ainda maior porque comunidades Guarani Kaiowá da região enfrentam dificuldades históricas de acesso à água potável e, em alguns locais, dependem do abastecimento por caminhões-pipa.
PF investiga violência contra indígenas
O episódio não é isolado. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) acionou a Polícia Federal nesta quinta-feira (29) para investigar uma série de denúncias envolvendo indígenas Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul após o segundo turno.
Também na quinta-feira, uma casa de reza indígena foi incendiada na aldeia Jaguapiré, em Tacuru. Segundo as denúncias, o fogo destruiu instrumentos sagrados utilizados nos rituais da comunidade.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) classificou os relatos como “extremamente preocupantes” e afirmou que eles envolvem ameaças à vida, à segurança e à integridade física, além de manifestações de discriminação e incitação ao ódio.
As denúncias estão sendo reunidas por organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Associação Aty Guasu. O governo federal também informou que diferentes ministérios atuam para que os episódios sejam investigados e os eventuais responsáveis identificados.
https://x.com/GuilhermeBoulos/status/2116253105067008028
“Não é terra sem lei”
Boulos tem cobrado publicamente uma resposta das autoridades à violência política registrada depois das eleições. O ministro afirmou acompanhar dezenas de episódios ocorridos em diferentes estados, entre eles agressões físicas, atropelamentos, disparos, violência policial e ataques contra indígenas.
“Os bolsonaristas terão que aprender que o Brasil não é terra sem lei”, afirmou o ministro ao cobrar a responsabilização dos envolvidos em episódios de violência política.
No caso dos povos indígenas, a autoria e as circunstâncias de cada episódio ainda estão sendo investigadas. A Polícia Federal foi acionada para apurar as denúncias em Mato Grosso do Sul.

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