Governo Tarcísio demite servidora que criticou fala capacitista de Flávio Bolsonaro contra Lula

Governo Tarcísio demite servidora que criticou fala capacitista de Flávio Bolsonaro contra Lula
- Tarcísio de Freitas - Foto: Marco Galvão/Alesp

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) demitiu, nesta terça-feira (27), uma servidora após ela ter feito críticas à fala capacitista de Flávio Bolsonaro (PL) ao presidente Lula (PT) durante debate eleitoral na TV Globo. Na ocasião, o senador e ex-candidato chamou Lula de “nove dedos”, o que gerou repercussão nacional negativa contra Flávio.
Nas redes sociais, a servidora pública Silvana Gimenez ,da coordenação de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, criticou a fala de Flávio. “Ao ouvir o 22 chamar Lula de nove dedos apenas constatei o que sempre digo: que o preconceito, o racismo, o capacitismo e a LGBTfobia podem estar escondidos, mas vem sempre à tona. Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter deficiência”, escreveu a servidora, que tem deficiência, no último sábado (24). 
Ela complementou, afirmando que “esse linguajar revela a postura de alguém que não se importa com os outros, com a diversidade dos corpos existentes. Sou mulher LGBT com deficiência e luto por respeito e dignidade. Esse 22 não nos representa”.
A exoneração de Silvana foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira. Ao UOL, ela relatou o momento em que recebeu a notícia. Ela afirma que, ao chegar no trabalho na segunda-feira (26), foi informada de que o secretário Marcos da Costa comunicou ao seu superior que ela teria sido dispensada. 
“Infelizmente, a justificativa utilizada pelo secretário Marcos da Costa para o meu superior foi que haveria mudanças na equipe e que ele começaria por mim. Dito isso, recebi uma ligação comunicando que voltasse para minha casa, pois não fazia mais parte da equipe”, disse ela ao UOL.  
Em relação à demissão, ela afirma que pode supor o motivo, “mas não há o que falar”. “Acima de tudo, sou pessoa com deficiência e sempre lutei contra falas preconceituosas. Não podia me calar. Contudo, não posso afirmar que foi por isso, seria leviano da minha parte”, relatou. 
Ela também comentou o caso nas redes sociais, ressaltando que tem uma trajetória no serviço pública de 41 anos, e que essa é sua primeira exoneração. “O ciclo se encerra, mas os ideais permanecem. Os caminhos podem mudar, mas meu compromisso com os direitos humanos, a inclusão e a democracia continua firme! Seguimos na luta, porque a construção de uma sociedade mais justa é uma tarefa de todas e todos nós!”, escreveu. 

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