O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com a expectativa de contar com 200 deputados federais fiéis a partir de 2027, mas precisará disputar o apoio de outros 100 parlamentares para formar maioria na Câmara. A articulação política do Planalto calcula que a oposição terá aproximadamente o mesmo tamanho da base governista, deixando nas mãos do centrão boa parte das decisões do próximo Congresso.
As projeções foram reveladas neste sábado (31) pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, o governo considera possível construir maiorias, apesar do avanço da direita nas eleições legislativas.
O grupo de pouco mais de 100 deputados sem alinhamento definido será o principal alvo das negociações. São parlamentares que poderão apoiar o Executivo em determinadas matérias e votar com a oposição em outras.
Nos bastidores, a avaliação é que esses votos dependerão da repercussão das propostas, dos interesses políticos regionais e das negociações envolvendo emendas parlamentares.
A conta preocupa o Planalto. Com 513 cadeiras na Câmara, uma proposta de emenda à Constituição precisa de 308 votos favoráveis, em dois turnos. Para aprovar projetos de lei ordinária, são necessários 257 votos quando todos os deputados participam da votação.
A situação é considerada ainda mais difícil no Senado, onde o fortalecimento dos partidos de direita reduziu as perspectivas de uma base estável para Lula.
Apesar do cenário, integrantes do governo enxergam possibilidades de aproximação com senadores de oposição, inclusive do Partido Liberal (PL), legenda de Jair e Flávio Bolsonaro.
A avaliação é que alguns parlamentares eleitos por partidos conservadores mantêm uma atuação política mais próxima do centro e podem negociar com o Executivo.
Entre os nomes citados estão Efraim Moraes, Reinaldo Azambuja e Domingos Sávio, além de integrantes do União Brasil e do Progressistas (PP).
A estratégia do governo será negociar apoio conforme o conteúdo de cada proposta, especialmente entre parlamentares sem compromisso permanente com a oposição.
A definição dessas alianças deve começar com a instalação da nova legislatura, em 2027.
Governo calcula ter 200 deputados na base e busca outros 100 para aprovar projetos
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