Abdul el-Sayed: quem é o socialista muçulmano que teve vitória histórica nos EUA

Abdul el-Sayed: quem é o socialista muçulmano que teve vitória histórica nos EUA
Abdul El-Sayed - Foto: Jeff Kowalsky / AFP

Abdul El-Sayed, médico, epidemiologista e democrata progressista de 42 anos, foi eleito senador pelo estado do Michigan nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, tornando-se o primeiro muçulmano da história a conquistar uma cadeira no Senado americano. Ele derrotou o republicano Mike Rogers com 51,8% dos votos contra 46,2%. A vitória garantiu a manutenção de uma cadeira democrata em um estado que alternou entre os dois partidos nas últimas eleições presidenciais e consolidou El-Sayed como um dos principais nomes da ala progressista do Partido Democrata.
A margem, de quase seis pontos percentuais, foi mais folgada do que muitos analistas esperavam para um estado historicamente disputado, que Joe Biden venceu em 2020 e Donald Trump levou em 2016 e em 2024.
Com a posse, El-Sayed se tornará o primeiro muçulmano e o primeiro cidadão de origem árabe a integrar o Senado dos Estados Unidos, em uma vitória que também compõe o quadro mais amplo das midterms: o Partido Democrata obteve maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, na disputa que renovou parte do Legislativo federal.
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Quem é Abdul El-Sayed
Nascido em 31 de outubro de 1984 em Rochester Hills, subúrbio de Detroit, El-Sayed é filho de imigrantes muçulmanos do Egito. Seu pai chegou ao Michigan na década de 1970, durante um período de expansão da imigração árabe para a região, e tornou-se professor de engenharia mecânica. El-Sayed cresceu na área metropolitana de Detroit, que abriga uma das comunidades árabe-americanas mais antigas e numerosas dos EUA, estimada em aproximadamente 400 mil pessoas.
Sua formação acadêmica é extensa: graduação em biologia e ciência política pela Universidade de Michigan, doutorado em saúde pública pela Universidade de Oxford e médico pela Universidade de Columbia, onde também atuou como professor de epidemiologia. Entre 2015 e 2017, dirigiu o Departamento de Saúde de Detroit. De 2023 a 2025, chefiou o Departamento de Saúde, Serviços Humanos e para Veteranos do Condado de Wayne.
Integrante da ala esquerda do Partido Democrata, El-Sayed construiu sua trajetória política fora do circuito tradicional de lideranças do partido. Sua campanha ao Senado defendeu a cobertura universal de saúde pública financiada pelo governo, a eliminação de dívidas médicas e foi marcada por críticas explícitas ao apoio americano a Israel, classificando a ofensiva israelense em Gaza como genocídio. Em 2018, havia tentado a candidatura ao governo do Michigan, mas perdeu nas primárias democratas.
Impacto político e social
A vitória de El-Sayed é lida como um sinal de força da ala progressista dentro do Partido Democrata e pode influenciar os rumos da legenda na preparação para a disputa presidencial de 2028. Ao vencer em Michigan, estado-chave que oscilou entre os dois partidos nas últimas três eleições presidenciais, El-Sayed demonstrou que uma plataforma abertamente à esquerda, com pautas de saúde universal e crítica à política externa americana, é capaz de mobilizar eleitores suficientes para superar um adversário republicano experiente.
Durante a campanha, Rogers tentou retratar El-Sayed como um candidato mais preocupado com Gaza do que com Michigan, explorando a fé e a origem do adversário como vetores de desconfiança. El-Sayed respondeu de forma direta: disse ser “apenas um candidato ao Senado que, por acaso, é muçulmano” e manteve o foco em saúde pública como eixo central de sua plataforma.

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