A onda de violência contra povos indígenas após as eleições presidenciais está provocando uma série de manifestações pelo Brasil. Depois de protestos realizados no último domingo (1º), novos atos estão marcados para esta quarta-feira (4) em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. As mobilizações cobram proteção às comunidades, investigação dos crimes e avanço na demarcação de terras indígenas.
Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), mais de 30 denúncias de violência foram registradas desde o segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Os relatos incluem assassinatos, ameaças de morte, perseguições políticas e incêndios criminosos.
O Mato Grosso do Sul concentra parte dos episódios denunciados. Pelo menos cinco mortes de indígenas Guarani Kaiowá estão sob investigação, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Em Tacuru, dois servidores municipais admitiram à Polícia Federal ter gravado e divulgado áudios com ameaças de envenenar a água consumida por moradores da Aldeia Sassoró.
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Outro episódio envolve o incêndio da casa de reza de uma indígena de 90 anos, na Aldeia Jaguapiré, que destruiu objetos sagrados. No Ceará, indígenas Tremembé também denunciaram invasões, desmatamento e queimadas em seu território.
Manifestações se espalham pelo país
Os atos desta quarta-feira dão continuidade às manifestações que já vêm ocorrendo em diferentes regiões do Brasil. No último domingo (1º), protestos realizados em cidades como São Paulo, Campinas, Belém e Rio de Janeiro denunciaram a violência política após as eleições e os ataques contra comunidades indígenas.
Em Brasília, a concentração está marcada para as 16h, no Museu Nacional da República. A programação inclui um ato cultural às 17h e uma marcha até o Congresso Nacional às 18h.
Em Belo Horizonte, a manifestação será realizada às 17h30, na Praça Sete. O ato, apoiado pelo Sind-REDE/BH, também arrecadará mudas e sementes nativas para o reflorestamento dos territórios Maxakali e de áreas atingidas pelas queimadas.
No Rio de Janeiro, a concentração ocorrerá às 16h, na Candelária, no Centro da cidade.
Além da proteção das comunidades, os movimentos reivindicam a homologação de 73 terras indígenas e a rejeição ao marco temporal, previsto na PEC 48/2023.
Governo federal acompanha denúncias
Em 29 de outubro, a Apib e outras sete organizações regionais enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando providências para conter os ataques e acelerar a demarcação dos territórios.
O Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar as denúncias, enquanto a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acompanha as ocorrências.
O governo federal também anunciou a criação de uma força-tarefa para reunir informações e acompanhar os casos. As organizações indígenas cobram a responsabilização dos envolvidos nos crimes e medidas permanentes de proteção às comunidades.
Povos indígenas convocam novas manifestações após onda de violência
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