Após pedido de Hugo Motta, Alcolumbre recua sobre redução da maioridade penal

Após pedido de Hugo Motta, Alcolumbre recua sobre redução da maioridade penal
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia do Alcolumbre. Na pauta, o...

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta quarta-feira (4) que o Senado não votará a redução da maioridade penal antes que a Câmara dos Deputados conclua sua análise sobre o tema.
A decisão representa um recuo em relação à sinalização dada na terça-feira (3), quando Alcolumbre abriu caminho para a votação após a aprovação da PEC da Segurança Pública.
O adiamento ocorreu a pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que argumentou que os deputados já discutem o assunto em uma comissão especial e se comprometeu a avançar com a proposta ainda em novembro.
Durante a sessão, Alcolumbre explicou aos senadores os motivos da mudança de posição.
“Institucionalmente, gostaria de pedir desculpas a Vossa Excelência e a todos os colegas que apoiam essa proposta, porque preciso manter uma boa convivência com o presidente da Câmara dos Deputados”, afirmou.
O presidente do Senado relatou que conversou com Motta na véspera e concordou em aguardar o andamento dos trabalhos na Câmara.
“Mesmo compreendendo, como muitos colegas senadores me dizem aqui, que o Senado também pode ser Casa iniciadora, não só Casa revisora, e eu sei que pode, conversei com o presidente Hugo Motta. Ele me pediu compreensão para que a Câmara pudesse concluir a análise na comissão especial”, disse Alcolumbre.
Propostas preveem redução para 16 e até 14 anos
A votação no Senado seria viabilizada por um requerimento de calendário especial apresentado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), com 53 assinaturas.
O mecanismo permitiria levar a discussão diretamente ao plenário, sem passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Na votação da PEC da Segurança Pública, o tema da maioridade penal havia sido retirado do texto para evitar que a proposta precisasse retornar à Câmara, o que poderia atrasar a criação do Ministério da Segurança Pública.
Em contrapartida, os senadores aprovaram um requerimento para transformar as emendas relacionadas à maioridade penal em propostas de emenda à Constituição autônomas, que deveriam tramitar em conjunto.
Uma das propostas prevê a manutenção da maioridade penal aos 18 anos para a maioria dos crimes, com redução para 16 anos em casos de crimes hediondos, como estupro e tortura.
Já a proposta defendida pela oposição estabelece a redução para 16 anos em todos os crimes e para 14 anos nos casos de crimes hediondos.
Comissão especial deve apresentar parecer ainda em novembro
Na Câmara dos Deputados, a discussão ocorre em uma comissão especial instalada em agosto.
O relator, deputado Mendonça Filho (PL-PE), afirmou que pretende apresentar seu parecer para votação no colegiado ainda neste mês, com a expectativa de encaminhar a matéria ao plenário no início de dezembro.
Os deputados discutem se a redução da maioridade penal deverá abranger todos os crimes ou ficar restrita aos considerados mais graves.
Alcolumbre assumiu o compromisso de colocar a matéria em votação no Senado no dia seguinte à aprovação na comissão especial da Câmara.
“Quando chegar aqui, nós vamos votar aqui”, afirmou.
 

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