Líder do PT aciona MPT contra Zé Trovão por apoio à campanha de demissão de ‘petistas’

Líder do PT aciona MPT contra Zé Trovão por apoio à campanha de demissão de ‘petistas’
- Deputado Zé Trovão. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O líder do PT na Câmara, o deputado Pedro Uczai (SC), acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o deputado Zé Trovão (PL-SC) pela campanha de assédio eleitoral e discrimação intitulada “demita um petista”, que foi lançada por bolsonaristas após o resultado do segundo turno da eleição presidencial, que deu vitória do presidente Lula (PT). Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), parlamentares, comerciantes e até médicos bolsonaristas iniciaram uma campanha de boicote e de demissão em massa de quem votou em Lula.
Nas redes sociais, o deputado Zé Trovão foi um dos que apoiaram o movimento através de um vídeo que já atingiu mais de 130 mil curtidas, 25 mil comentários e 1,2 milhão de visualizações, e que é alvo do pedido no MPT. Uczai pede a abertura de um inquérito civil para apurar estímulo público à discriminação por convicção política nas relações de trabalho e ao assédio eleitoral pelo deputado do PL. 
“A campanha “demita um petista” ataca essa garantia por via oblíqua. Ao propor que empregadores identifiquem e dispensem os trabalhadores que votaram no candidato vencedor, converte o vínculo de emprego em instrumento de punição pela escolha feita na cabine de votação e atribui ao voto um custo econômico que a Constituição quis afastar”, diz o deputado do PT na representação. 
O parlamentar ainda cita dados do próprio MPT, que registrou 3.080 denúncias de assédio eleitoral no ano, das quais 1.147 foram recebidas entre 26 e 28 de outubro, nos três dias que se seguiram à votação do segundo turno das eleições. 
No vídeo divulgado por Trovão, o deputado bolsonarista defende a demissão de trabalhadores que votaram em Lula. “O cara abriu uma empresa, o cara tá quebrando, e ele é obrigado, ele é obrigado a manter um funcionário que votou no PT, sendo que ele é de direita? Ah, faça-me o favor, né, cara? Faça-me o favor, tem que mandar embora mesmo”, afirma na gravação. 
Diante disso, Uczai pede a instauração de inquérito civil e outros procedimentos administrativos para assegurar os direitos sociais dos trabalhadores. Ele também pede que o cruzamento dos dados do vídeo com as denúncias de assédio eleitoral e de discriminação por convicção política recebidas pelo Ministério Público do Trabalho após o segundo turno, em especial pela Procuradoria Regional do Trabalho da 12ª Região, para a identificação de dispensas, ameaças ou constrangimentos de trabalhadores relacionados ao conteúdo ou à campanha nele tratada.
O deputado também solicita a remoção do vídeo do deputado bolsonarista e a retração pública do parlamentar, esclarecendo que nenhum trabalhador pode ser dispensado, preterido ou constrangido em razão de seu voto ou de sua convicção política.

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