Presidência do Senado: o que está em jogo e o que deve acontecer até fevereiro

Presidência do Senado: o que está em jogo e o que deve acontecer até fevereiro
- Rogerio Marinho (PL-RN) e o presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) em sessão de 3 de...

A eleição para a Presidência do Senado Federal, marcada para 1º de fevereiro de 2027, já movimenta os bastidores de Brasília. A disputa definirá quem comandará a Casa pelos próximos dois anos e terá influência direta sobre a relação entre o Congresso Nacional, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Três nomes concentram as articulações até o momento: o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a recondução; o senador Rogério Marinho (PL-RN), lançado pelo Partido Liberal como candidato da oposição; e Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, que também articula sua candidatura.
A eleição representa uma queda de braço pelo controle da agenda legislativa e pela orientação política de uma das principais instituições da República. Para o governo Lula, a permanência de Alcolumbre representa a possibilidade de manter um interlocutor com quem já construiu canais de negociação. Para o bolsonarismo, conquistar a presidência significa ampliar a influência sobre as pautas do Senado e pressionar o Judiciário.
Alcolumbre tem apoio de Lula e do Centrão
Davi Alcolumbre foi eleito presidente do Senado em fevereiro de 2025, com 73 dos 81 votos possíveis. Agora, trabalha para construir uma aliança ampla que viabilize sua permanência no comando da Casa no biênio 2027-2028.
O senador conta com o apoio do presidente Lula e de partidos como PT, MDB e PSD. Em 27 de outubro, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também anunciou apoio formal à sua recondução.
A declaração, entretanto, não significa que todos os integrantes das duas legendas estejam alinhados. O anúncio provocou desconforto entre parlamentares do PP, especialmente porque a senadora Tereza Cristina também pretende disputar a presidência.
A articulação de Alcolumbre envolve a construção de uma maioria que ultrapasse a base governista e alcance setores do centro político e da direita. O atual presidente aposta em sua experiência na condução da Casa, no relacionamento com os parlamentares e na capacidade de negociação com diferentes grupos.
A aproximação com Lula também é estratégica para o Executivo, que busca manter um ambiente favorável à negociação de projetos prioritários para o próximo mandato.
PL lança Rogério Marinho e tenta unificar a oposição
Em 4 de novembro, o PL oficializou a candidatura de Rogério Marinho à Presidência do Senado. Líder da oposição na Casa, o parlamentar foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e conta com o apoio da família Bolsonaro. Além disso, foi ministro do governo Jair Bolsonaro e relator da reforma trabalhista de 2017.
A legenda terá a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 29 das 81 cadeiras. O Novo, com três parlamentares, também declarou apoio à candidatura.
Marinho pretende aproveitar o crescimento da direita na Casa para construir uma maioria capaz de derrotar Alcolumbre.
A estratégia inclui mobilizar a base bolsonarista em diferentes estados para pressionar parlamentares a apoiar sua candidatura. Marinho também pretende viajar pelo país e preparar uma carta programática para atrair setores do centro político.
Entre as principais bandeiras do senador estão a discussão sobre a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
O parlamentar também defende mudanças nas regras para a tramitação desses pedidos, incluindo a criação de prazos para que o presidente do Senado decida sobre as denúncias.
Tereza Cristina também está na disputa
A ex-ministra de Bolsonaro e senadora pelo PP-MS também articula sua candidatura. Tereza Cristina pretende atrair parlamentares do centro, representantes do agronegócio e integrantes da bancada feminina.
Caso seja eleita, será a primeira mulher a presidir o Senado Federal.
A senadora enfrenta, porém, um obstáculo dentro do próprio partido. Embora o PP tenha anunciado apoio à recondução de Alcolumbre, Tereza mantém sua disposição de disputar o cargo e conta com parlamentares que não concordam com a decisão da direção da legenda.
Ela e Rogério Marinho já estabeleceram um acordo para tentar construir uma candidatura única contra o atual presidente. A ideia é que, em janeiro, os dois avaliem qual nome reúne melhores condições de vitória. Aquele considerado menos competitivo deverá desistir em favor do outro.
A negociação não está livre de tensões. A pressão de setores bolsonaristas para que Tereza abra mão da candidatura gerou insatisfação entre integrantes do PP, que consideram legítima a participação da senadora na disputa.
Por que a Presidência do Senado é tão importante?
O presidente do Senado não exerce apenas uma função administrativa. O cargo concentra atribuições que influenciam diretamente o funcionamento do Legislativo e o equilíbrio entre os Poderes.
Entre suas responsabilidades estão a condução das sessões, a organização dos trabalhos parlamentares e a definição das pautas que serão submetidas à votação. O presidente também tem influência sobre a tramitação de propostas e sobre a distribuição de espaços políticos na Casa.
Outro ponto central é a relação com o Supremo Tribunal Federal. Cabe ao Senado processar e julgar ministros da Corte por crimes de responsabilidade. Na prática, o presidente da Casa tem papel decisivo na análise inicial dos pedidos de impeachment, o que explica por que o tema se tornou uma das principais bandeiras da oposição bolsonarista.
O comando do Senado também tem peso na escolha das presidências das comissões permanentes, responsáveis por analisar projetos e indicações para cargos relevantes.
Uma das mais importantes é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que examina a constitucionalidade das propostas e analisa, entre outras matérias, indicações de autoridades para tribunais superiores.
O ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), eleito senador em 2026, também aparece nas articulações para ocupar a presidência do colegiado no próximo biênio.
Ou seja, a disputa envolve não apenas quem conduzirá as sessões, mas também quais temas terão prioridade e como serão distribuídos os principais postos de decisão do Senado.
O que deve acontecer até fevereiro
A tendência é que as negociações se intensifiquem nas próximas semanas. Os partidos precisarão definir suas posições, enquanto os candidatos tentarão ampliar alianças e garantir o apoio individual dos parlamentares.
A composição partidária da próxima legislatura será um elemento importante. Além dos 29 senadores do PL, o PT terá dez cadeiras, o MDB oito, o PP seis, o União Brasil e o Republicanos cinco cada, enquanto o PSD e o PSB terão quatro cada. O Novo contará com três representantes.
Embora a distribuição das bancadas ajude a dimensionar as forças políticas, o resultado não está definido. A eleição é individual e realizada por escrutínio secreto, conforme o Regimento Interno do Senado. Por isso, declarações de apoio dos partidos não significam necessariamente votos garantidos.
O sigilo também é um dos pontos de tensão da campanha. Marinho defende que os senadores de direita divulguem publicamente seus votos, numa tentativa de evitar dissidências. Alcolumbre, por sua vez, pode se beneficiar da possibilidade de receber apoio de parlamentares da oposição sem que eles precisem assumir publicamente essa escolha.

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