O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (29) a candidatura da ex-vereadora Rogéria Bolsonaro ao cargo de deputada federal pelo Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo seu filho, o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). A decisão reorganiza o xadrez político da legenda e ocorre logo após uma intensa crise pública envolvendo os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Reorganização de forças e herança de votos
Inicialmente, Rogéria era cotada para figurar como primeira suplente na chapa de Márcio Canella (União) ao Senado. Contudo, após avaliações internas e o tensionamento na base aliada fluminense, o comando do PL bateu o martelo para transferi-la para a disputa na Câmara dos Deputados.
Aos 66 anos, a publicitária e primeira esposa de Jair Bolsonaro retorna à linha de frente da política. Ela já exerceu dois mandatos como vereadora na capital fluminense entre 1993 e 2001.
A cúpula do partido aposta que Rogéria funcionará como uma “puxadora de votos”, capaz de herdar o espólio eleitoral da família no estado. Nas eleições deste ano, nenhum dos três filhos políticos tradicionais de Jair Bolsonaro disputará cargos pelo Rio de Janeiro:
Flávio Bolsonaro concorre ao Palácio do Planalto.
Carlos Bolsonaro transferiu seu domicílio eleitoral e concorre ao Senado por Santa Catarina.
Eduardo Bolsonaro busca uma vaga de suplente ao Senado por São Paulo.
A candidatura de Rogéria preenche ainda o vácuo deixado por Hélio Lopes (PL), que migrou para Roraima para tentar o Senado.
Os bastidores da “guerra” com Michelle Bolsonaro
A engenharia política que culminou no lançamento de Rogéria foi acelerada por semanas de forte desgaste familiar. Em junho, Michelle Bolsonaro expôs publicamente um racha com o enteado Flávio, afirmando ter sido “humilhada e desrespeitada” pelo senador após divergências sobre os rumos e alianças do partido no Ceará.
O embate escalou quando Rogéria veio a público em suas redes sociais para intervir na disputa doméstica. Sem citar Michelle diretamente, a ex-mulher do ex-presidente defendeu enfaticamente Flávio, declarando que havia criado “homens dignos e honrados” e que confiava na “vitória com Deus no controle”. Interlocutores apontavam que Michelle vinha tentando frear o protagonismo e espaço concedidos à ex-mulher de Bolsonaro na chapa majoritária fluminense.
Retratação e trégua estratégica
Com o risco iminente de que a briga familiar implodisse a sustentação política da candidatura de Flávio à Presidência, aliados costuraram um recuo tático. Como condição imposta por Michelle para uma reaproximação, Flávio gravou um vídeo com pedido público de desculpas à madrasta, admitindo que causou desconfortos e afirmando que jamais teve a intenção de desrespeitá-la.
Após a retratação, Michelle chancelou a pacificação publicando um vídeo ao lado de Flávio, onde declarou apoio oficial à jornada dele rumo ao Planalto. Selada a trégua e contornada a crise, o caminho ficou livre para que Rogéria confirmasse sua candidatura à Câmara Federal, prometendo, segundo suas próprias palavras, uma “ampla frente de lutas e combates” nas urnas.
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