PP rifa Tereza Cristina, barra senadora como vice de Flávio e reafirma neutralidade

PP rifa Tereza Cristina, barra senadora como vice de Flávio e reafirma neutralidade
Tereza Cristina e Flávio Bolsonaro - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Progressistas (PP) emitiu nota oficial nesta sexta-feira (31) reafirmando sua neutralidade nas eleições presidenciais e barrando a entrada da senadora Tereza Cristina (PP-MS) na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República. A decisão foi tomada por maioria após consulta aos diretórios estaduais e comunicada à própria senadora, que a acatou, minutos depois de Flávio anunciar publicamente que ela havia aceitado o convite para ser sua vice. O movimento expõe as dificuldades do bolsonarismo em consolidar apoio de partidos do Centrão, que avaliam a viabilidade eleitoral da candidatura antes de qualquer comprometimento formal.
Flávio Bolsonaro anuncia vice e PP reage
Flávio Bolsonaro chegou ao seu comitê de campanha em São Paulo, onde se reuniria com vereadores da capital organizados pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), e foi direto ao ponto quando questionado por jornalistas sobre a composição de sua chapa. “A Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, uma referência em várias áreas, em especial no agro, respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. Então o convite foi feito, ela aceitou e agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não”, declarou.
Quinze minutos depois, o PP desmentiu o enquadramento. Em nota oficial, o partido informou que, “após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral”, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional. A nota foi categórica ao registrar que “a decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”. O anúncio de Flávio e a resposta do PP saíram quase simultaneamente ao público, tornando o constrangimento político difícil de disfarçar.
A decisão do PP e suas justificativas
A consulta aos diretórios estaduais foi a última tentativa de abrir caminho para a composição. Tereza Cristina havia relutado em aceitar o posto e chegou a negar a possibilidade diretamente ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Nesta semana, porém, comunicou a aliados do PP sua disposição de integrar a chapa, o que levou o presidente da legenda, Ciro Nogueira (PP-PI), a dar à própria senadora a missão de tentar convencer dirigentes do partido a rever a neutralidade já sinalizada. A articulação não prosperou.
Nomes influentes da cúpula do PP resistiram à mudança de posição. O líder da bancada na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), e os deputados Aguinaldo Ribeiro (PB) e Eduardo da Fonte (PE) defenderam a manutenção da neutralidade. Além da resistência política, o partido apontou um obstáculo estatutário: o regulamento da legenda exige antecedência mínima de oito dias para a convocação de uma convenção nacional, e o período de convenções encerra em 5 de agosto, tornando qualquer reviravolta inviável sem consenso amplo na cúpula.
Contexto das negociações e o papel do Centrão
O PL vem tentando ampliar sua base de apoio para as eleições presidenciais, cortejando o Republicanos e a federação formada por PP e União Brasil. As duas siglas, porém, têm sinalizado a intenção de manter neutralidade na disputa pelo Planalto, dando autonomia aos diretórios estaduais para se posicionarem nas disputas locais sem comprometer o partido nacionalmente. Flávio chegou ao evento desta sexta acompanhado de Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal e também cotada para a vice, o que indica que as negociações seguem abertas em mais de uma frente.
O comportamento do PP diante da pressão do PL, no entanto, revelou tensões que vão além da neutralidade formal. Segundo o jornal O Globo, integrantes da cúpula do PP classificaram a movimentação de Flávio para ter Tereza Cristina como vice como uma espécie de “chantagem” para forçar o partido a rever sua posição. Ainda de acordo com o mesmo veículo, dirigentes afirmam reservadamente que prevaleceu a avaliação de que o PP não deveria abandonar o arranjo já construído para embarcar em uma candidatura que ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua coalizão, e um deles resumiu que não fazia sentido “morrer na praia com Flávio”. Há também críticas, segundo o jornal O Globo, à forma como o presidenciável conduziu as negociações com a legenda, considerada por integrantes da cúpula como “a pior maneira possível”.
Implicações para a campanha de Flávio Bolsonaro
A recusa do PP representa um revés concreto para a estratégia do PL. Tereza Cristina era tratada pela cúpula do partido como o “nome ideal” para a vice, por seu trânsito com o Centrão e com o agronegócio, dois territórios que Flávio Bolsonaro precisa conquistar para ampliar sua viabilidade eleitoral além do núcleo bolsonarista. Atrair a federação PP-União Brasil para a chapa era parte central do plano de evitar que o candidato entrasse oficialmente na campanha sem o apoio de nenhum grande partido.
Com a porta fechada pelo PP, o PL intensifica as negociações com outras legendas. O Republicanos segue sendo cortejado, mas também ainda não formalizou apoio à candidatura. O prazo é curto: 5 de agosto é o limite para a formalização das coligações e o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.

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