O nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, desde que começaram as discussões sobre as eleições de 2026, já foi citado para disputar a Presidência da República, ocupar a Vice-Presidência em uma chapa com Tarcísio de Freitas e, agora, concorrer ao Senado pelo Distrito Federal.
Porém, desde que tentou implodir a aliança entre o PL e o PSDB no Ceará, Michelle Bolsonaro foi escanteada das discussões eleitorais. Mais recentemente, após publicar um vídeo contra Flávio Bolsonaro, foi obrigada a se afastar do PL e a deixar o comando do PL Mulher.
No entanto, a pergunta permanece: Michelle Bolsonaro será candidata ao Senado pelo Distrito Federal? A resposta foi dada na tarde desta sexta-feira (31) por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, após tomar um café com a ex-primeira-dama.
Segundo Valdemar, Michelle Bolsonaro só será candidata ao Senado se o ex-presidente Jair Bolsonaro autorizar:
“Ela disse que vai resolver com o marido dela [Jair Bolsonaro]. Porque ela tem que cuidar do marido. Então, ela vai resolver isso até domingo. Quem vai decidir é o Bolsonaro.”
No domingo (2), ocorre a convenção estadual do PL no Distrito Federal, quando será anunciado se Michelle Bolsonaro será ou não candidata ao Senado.
Damares cita Michelle e pede para Bia Kicis deixar PL em provocação a Flávio Bolsonaro
Damares Alves convidou a deputada federal Bia Kicis a deixar o PL e se filiar ao Republicanos durante a convenção distrital da legenda, realizada nesta quinta-feira (30), em Brasília. No mesmo discurso, a senadora colocou Michelle Bolsonaro no centro da articulação eleitoral e projetou as três juntas no palanque da governadora Celina Leão (PP).
A declaração foi feita diante de Bia, presidente do PL no Distrito Federal e candidata ao Senado. Damares pediu que a deputada imaginasse uma atuação conjunta com ela e Michelle para apoiar Celina e o candidato a vice-governador Gustavo Rocha (Republicanos). Em seguida, abriu publicamente as portas de seu partido para a parlamentar.
“Bia, o Republicanos te acolhe. Se você quiser, muda para esse partido também, porque aqui nós somos dez.”
https://x.com/Pri_usabr1/status/2083014973870002406
Flávio Bolsonaro não foi citado nominalmente. O convite, porém, ganhou o peso de uma provocação ao candidato presidencial do PL por ocorrer em meio ao racha que afastou Damares da equipe de campanha do senador e colocou Michelle em confronto com o enteado e com dirigentes da própria legenda.
Damares transforma palanque de Michelle em recado a Flávio Bolsonaro
A fala de Damares não foi apenas uma brincadeira sobre filiação partidária. A senadora reuniu no mesmo discurso duas das principais lideranças femininas do campo bolsonarista no Distrito Federal e sugeriu que uma delas abandonasse justamente o partido comandado no estado por Bia Kicis e usado por Flávio para disputar a Presidência da República.
Damares tornou-se uma das principais defensoras de Michelle durante a guerra interna no bolsonarismo. Em julho, a senadora deixou a equipe responsável pela elaboração do plano de governo de Flávio Bolsonaro depois de afirmar que vinha sendo atacada por integrantes da própria direita.
O afastamento ocorreu após Damares tomar partido de Michelle nas disputas pelo comando político da extrema direita. A ex-primeira-dama acusou Flávio de humilhá-la e de agir contra suas articulações eleitorais. A crise também envolveu a direção nacional do PL e os espaços controlados por Michelle dentro da sigla.
Damares ainda celebrou publicamente a decisão da aliada de sair do comando nacional do PL Mulher. Na ocasião, a senadora afirmou sentir “orgulho” de Michelle e tentou apresentar a saída como uma decisão voltada aos cuidados com Jair Bolsonaro. O gesto, no entanto, ocorreu no auge do confronto entre a ex-primeira-dama, Flávio e a cúpula partidária.
Nesse contexto, convidar Bia Kicis a trocar o PL pelo Republicanos diante de apoiadores e dirigentes amplia o recado. Damares demonstrou que pretende preservar um núcleo político ligado a Michelle, mesmo sem subordinar esse grupo à campanha presidencial de Flávio.
Republicanos apoia Bia Kicis e, ao mesmo tempo, oferece filiação
A provocação ocorreu em uma convenção construída para demonstrar unidade entre Republicanos, PP e PL no Distrito Federal. De acordo com o balanço oficial publicado pelo Republicanos-DF, o partido homologou Gustavo Rocha como candidato a vice-governador na chapa de Celina Leão, confirmou seus candidatos proporcionais e declarou apoio à candidatura de Bia Kicis ao Senado.
O convite de Damares, portanto, criou uma situação incomum. O Republicanos apoia Bia como candidata do PL, mas a principal liderança da sigla no Distrito Federal aproveitou o palanque para dizer que a deputada seria acolhida caso decidisse abandonar o partido de Flávio Bolsonaro.
Em seu discurso, Bia preferiu reforçar a aliança eleitoral. A deputada afirmou que PL, Republicanos e o partido de Celina Leão caminhariam juntos e projetou o grupo como força para eleger representantes à Câmara Legislativa do Distrito Federal, à Câmara dos Deputados e ao Senado.
Bia também mencionou Michelle como colega de partido e pré-candidata ao Senado. A afirmação foi acompanhada por Celina e Damares, que falaram sobre a disputa eleitoral como se os dois nomes do grupo para as vagas de senadora já estivessem definidos.
Celina declarou que Bia e Michelle seriam as candidatas da chapa e afirmou que o grupo precisaria eleger ambas para impedir o avanço de candidaturas de esquerda. Com isso, a ex-primeira-dama tornou-se uma das entidades centrais da convenção do Republicanos mesmo sem ter oficializado pessoalmente sua entrada na disputa.
Michelle Bolsonaro ainda não confirmou candidatura ao Senado
A assessoria de Michelle Bolsonaro informou ao jornal Correio Braziliense que somente a ex-primeira-dama poderia falar oficialmente sobre sua candidatura e que esse anúncio ainda não havia sido feito. A manifestação contrasta com o discurso das aliadas, que já tratam sua participação na eleição como definida.
A possível candidatura de Michelle tem peso na formação da chapa conservadora no Distrito Federal. Em 2026, serão disputadas duas vagas por unidade da federação no Senado. Bia conta com a presença da ex-primeira-dama para fortalecer o palanque, ampliar a mobilização do eleitorado bolsonarista e estimular o segundo voto entre apoiadores da direita.
Uma pesquisa divulgada em julho e publicada pela Fórum mostrou Michelle entre os nomes mais competitivos para o Senado no Distrito Federal. Bia também aparece na disputa, mas com desempenho inferior ao da ex-primeira-dama nos cenários testados.
A projeção feita por Damares aponta para a formação de um bloco liderado por mulheres da extrema direita no DF. A senadora já tem mandato até 2031, enquanto Bia e Michelle são tratadas pelas aliadas como candidatas às duas vagas em disputa. Celina Leão, por sua vez, busca permanecer no governo local ao lado de Gustavo Rocha.
O movimento não representa, por enquanto, uma ruptura formal de Bia Kicis com o PL. A deputada segue filiada à legenda e conta com o apoio oficial do Republicanos para concorrer ao Senado. Ainda assim, o convite público expõe a disputa por influência dentro do bolsonarismo e mostra Damares usando a força eleitoral de Michelle para marcar distância da campanha de Flávio Bolsonaro.
Valdemar revela condição para Michelle Bolsonaro ser candidata
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