Flávio Bolsonaro faz dobradinha com André Mendonça e já usa ações contra Lulinha na campanha

Flávio Bolsonaro faz dobradinha com André Mendonça e já usa ações contra Lulinha na campanha
- Flávio Bolsonaro usa decisão de Mendonça, alçado ao STF pelo pai, contra Lulinha na campanha (Reprodução / PR)

Em uma ação orquestrada com o “terrivelmente evangélico” André Mendonça, que determinou a abertura de dois inquéritos contra Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, em 48 horas, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) já deu início a um levante nas redes sociais usando as decisões do ministro, alçado por Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra Lula.
O próprio Flávio Bolsonaro desencadeou a ação criada pela nova equipe de marqueteiros em publicação às 18h56 desta sexta-feira (31) na rede X, quando Mendonça já havia dado aval ao novo inquérito, que só seria divulgado para a mídia cerca de uma hora mais tarde.
Na publicação, Flávio Bolsonaro mente tentando ainda atrelar Fabio Luís ao escândalo do INSS – sendo que ele não foi indiciado – e destaca a decisão do ministro contra Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, além das “medidas de Mendonça no caso INSS, que cita Lulinha”.
“Essa suspeita de uso da Polícia Federal para tentar esconder os documentos da investigação que liga Lulinha ao esquema é um tapa na cara dos aposentados e das suas famílias. O governo Lula tem muito a explicar”, escreveu.
https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2083310751104840135
Cerca de uma hora depois, foi divulgado que Mendonça autorizou a segunda investigação contra Fábio Luís sobre suposta atuação do filho do presidente em negócios relacionados à Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados da Previdência Social e pela manutenção de sistemas usados pelo INSS.
Na quarta-feira (30), o ministro já havia dado aval à PF para apurar suspeitas de tráfico de influência relacionadas à comercialização de cannabis medicinal, em programas vinculados ao Ministério da Saúde.
O advogado Marco Aurélio Carvalho, que faz a defesa de Lulinha e coordena a campanha jurídica de Lula em São Paulo, diz que “a impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de fish expedition, uma pesca probatória”, sobre o jargão usado para definir investigações desencadeadas em busca indícios de quaisquer crimes antes mesmo da abertura do inquérito.
“A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indiretacom qualquer tipo de irregularidade”, disse nesta sexta-feira.
“É mais do mesmo, tentativa e erro. É a velha estratégia de criar um factóide. Ao que parece, a Polícia Federal está procurando uma espécie de melhor de três, não achei aqui, vou procurar ali. Isso é fishing expedition, pesca probatória, e nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça”, emendou Carvalho.
Estratégia de marketing
A dobradinha com Mendonça, especialmente na apuração aberta contra o diretor da PF, é uma estratégia criada pelos marqueteiros de Flávio Bolsonaro para dar “paridade de forças” ao filho “01” que foi protegido por Jair Bolsonaro (PL) nas investigações do caso de corrupção das rachadinhas.
Durante seu governo, Bolsonaro trocou cinco diretores da PF para blindar o clã. A ação desencadeou o pedido de demissão do então “super” ministro da Justiça, Sergio Moro (PL-RP), que à época acusou o ex-presidente de interferência na corporação.
Sem encontrar provas contra Lulinha no escândalo do INSS, Mendonça abriu a apuração contra Rodrigues e as duas investigações contra o filho do presidente na mesma semana em que teve que avalizar uma investigação contra Flávio Bolsonaro por causa das remessas de milhões de dólares de Daniel Vorcaro para um fundo nos EUA que teria como finalidade “patrocinar” o filme Dark Horse.
Enquanto Mendonça atuava no STF, a nova equipe de marketing de Flávio Bolsonaro, comandada por Duda Lima, arquitetou uma ação para colar as investigações no “pai do Lulinha”, expressão que já havia sido testada no dia anterior por Flávio Bolsonaro nas redes.
“Mesmo com toda a blindagem patrocinada pelo pai do Lulinha, a PF começou a investigar um “suposto” caso de tráfico de influência no Ministério da Saúde. A suspeita é de que ele tenha operado em favor do Careca do INSS, o homem que desviou dinheiro dos aposentados e dos velhinhos do Brasil. Lulinha ainda é suspeito de ter usado o acesso ao gabinete presidencial para vender cannabis medicinal ao Ministério da Saúde”, escreveu Flávio Bolsonaro junto a um vídeo no Instagram em que mostra uma reportagem com a primeira decisão de Mendonça.

 

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Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, em outra frente, os marqueteiros resolveram acionar o gabinete do ódio nas redes para propagar questionamentos sobre “onde está” Lulinha, cobrando explicações do presidente.
Uso de IA
A ação pode ser vista em um comentário da publicação de Flávio Bolsonaro em que um perfil bolsonarista divulga um vídeo feito por IA com uma imagem simulando Lulinha levando sacolas de dinheiro abaixo da frase “filho do Lula”.
No comentário são marcadas uma série de hashtags para engajar outros membros do gabinete do ódio, como LulaNaCadeia e LulaRoubaAposentados. O uso de um vídeo feito por Inteligência Artificial (IA) com Jair Bolsonaro motivou a troca de marqueteiros, após a ação ser contestada junto à Justiça Eleitoral.
https://x.com/cosultora/status/2083314074914357646
Na última quinta-feira, o PT denunciou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma rede de 31 perfis laranjas ligada ao ecossistema digital da família Bolsonaro que, segundo a ação, usa inteligência artificial para produzir e espalhar ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A estrutura reúne 1.464.245 seguidores compartilhados e 23.828 publicações, além de ter seus conteúdos impulsionados por Flávio Bolsonaro e outros políticos bolsonaristas com audiências milionárias.
A íntegra da representação protocolada no TSE aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os deputados federais Mario Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES), além de André Marinho, pré-candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro, como amplificadores de materiais produzidos originalmente por contas anônimas ou apócrifas.
A ligação com a família Bolsonaro aparece principalmente na atuação de Flávio Bolsonaro. O senador é formalmente representado na ação e, segundo a Federação, compartilhou vídeos criados pelos perfis investigados, mencionou páginas responsáveis pela produção dos materiais e levou os ataques contra Lula a milhões de usuários.
A petição não afirma que todos os 31 perfis sejam administrados diretamente pela família Bolsonaro. A denúncia sustenta que existe uma rede de contas anônimas ou apócrifas vinculada ao campo bolsonarista, que produz conteúdos contra Lula e recebe impulso, validação e audiência de Flávio Bolsonaro e de outros aliados políticos.
Parte das publicações também promoveria a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro enquanto associa Lula, o PT e integrantes do governo a crimes, corrupção e outras acusações depreciativas.

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