Assessor de Mendonça no STF assinou 6 trocas na PF no caso das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro

Assessor de Mendonça no STF assinou 6 trocas na PF no caso das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro
- André Mendonça, Tercio Issami Tokano e Flávio Bolsonaro (Instagram / Flickr Flávio Bolsonaro)

Avalista de dois pedidos da Polícia Federal (PF) contra Fábio Luís Lula da Silva e pivô de uma queda de braço com o diretor-geral Andrei Rodrigues, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como um dos principais assessores na corte e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde é vice-presidente, Tercio Issami Tokano, que assinou em 24 de maio de 2020 as seis trocas de delegados da corporação em meio às investigações do suposto esquema de corrupção das “rachadinhas”, que funcionava no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Entre as trocas avalizadas por Tokano, então secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, estava a nomeação do delegado Tácio Muzzi de Carvalho e Carneiro para a Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, estopim da crise que resultou na demissão de Sergio Moro da pasta, acusando Jair Bolsonaro de interferência na PF.
O cargo era ocupado à época pelo delegado Ricardo Saadi, que foi acusado pelo clã Bolsonaro de perseguir Flávio Bolsonaro. Saadi foi nomeado por Lula como presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão que revelou o esquema das rachadinhas de Carlos e Flávio Bolsonaro.
Para o lugar de Moro, Bolsonaro nomeou André Mendonça, que levou Tokano, seu assessor na Advocacia-Geral da União para ser o número 2 do “super” Ministério da Justiça, criado por Bolsonaro em 2019 para abrigar Moro, com a promessa de indicar o ex-juiz da Lava Jato a uma cadeira no STF – que ruiu com as acusações de interferência na PF.
À época, Bolsonaro ainda nomeou Rolando Alexandre de Souza para a direção-geral da PF, no lugar do lavajatista Maurício Valeixo, levado por Moro para o topo da hierarquia da corporação.
À época, causou estranheza que foi Tokano, e não Rolando de Souza, quem assinou as trocas em seis superintendências da PF por decisão de Flávio Bolsonaro.
Próximo ao Planalto, Tokano chegou a ser cotado para assumir o comando da AGU quando Mendonça ocupou o Ministério da Justiça. E também era o preferido de Bolsonaro para assumir a AGU quando o ex-presidente indicou o “terrivelmente evangélico” para o Supremo.
No entanto, Mendonça faz questão de levar o assessor para todos os lugares onde atua, colocando sempre em cargos de comando. Além de ser um dos principais auxiliares do ministro no STF, Tokano atua como assessor-chefe de Mendonça no Tribunal Superior Eleitoral, corte presidida por Kassio Nunes Marques.

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