Vice de Flávio Bolsonaro oscila entre a extremista Júlia Zanatta e “tucano” Rogério Marinho

Vice de Flávio Bolsonaro oscila entre a extremista Júlia Zanatta e “tucano” Rogério Marinho
- Julia Zanatta e Flávio Bolsonaro/Foto: Redes Sociais

A recusa dos principais partidos do Centrão em selar uma aliança formal para as eleições presidenciais acendeu o sinal de alerta no comitê de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) []. Sem o apoio do União Brasil, PP e Republicanos, que optaram pela neutralidade na disputa, a candidatura do clã Bolsonaro vê-se empurrada para uma composição “puro-sangue”, cujo desfecho tem oposto a ala pragmática e a ala ideológica do Partido Liberal.
A Pressão do “Bolsonarismo Raiz”
O isolamento político reergueu as pretensões da ala mais radical do partido. Liderado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o grupo defende que a chapa priorize a lealdade ideológica e o discurso combativo em detrimento de alianças fisiológicas. Para esse núcleo, a vaga de vice deve ser ocupada por uma figura fiel às pautas de costumes e com forte capacidade de mobilização digital.
Neste cenário, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) posicionou-se publicamente como pré-candidata ao posto, afirmando estar “pronta para o combate”. A parlamentar catarinense conta com o apoio aberto de Eduardo Bolsonaro. Além dela, nomes como as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Priscila Costa (PL-CE) são defendidos pela militância para garantir uma presença feminina que dialogue com o eleitorado conservador.
O Alerta dos Estrategistas
Apesar da pressão das bases, o núcleo político de Flávio Bolsonaro enxerga riscos em uma chapa excessivamente ideológica. Estrategistas da campanha alertam que figuras consideradas “explosivas” pela opinião pública podem afastar o eleitor moderado e os indecisos.
O diagnóstico interno aponta que discursos inflamados e questionamentos institucionais geram alta rejeição. A preferência de Flávio recaía originalmente sobre um perfil técnico e moderado de fora da sigla — como a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques —, tentativa que esbarrou na resistência do centro.
O Fator Rogério Marinho
Diante do impasse e das recusas externas, o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) ganhou tração nos bastidores como a alternativa de consenso. Coordenador político e articulador experiente, Marinho é visto pelo presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, como o nome ideal para dar um tom mais técnico e menos ruidoso à candidatura, servindo de contraponto à pressão da ala radical.
Com o relógio correndo contra as convenções, o comando do PL corre para selar a decisão que definirá o tom da campanha: se apostará no confronto ideológico puro ou na tentativa de moderação para romper o isolamento.
 

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