A ofensiva do governo Lula contra as bets colocou o presidente em rota de colisão com as cúpulas do futebol brasileiro — e, até agora, os números da opinião pública jogam a favor de Lula.
Enquanto clubes e federações assinavam um manifesto dramático intitulado “O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO”, o presidente respondia com a autoridade de quem conhece a história do esporte que dizem proteger.
“Não sou dono de bet, sou presidente deste país”, resumiu Lula, em ato de campanha em Guarulhos, no dia 18 de setembro.
Fim do futebol?
O manifesto assinado por Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Cruzeiro, além das federações do Rio e de São Paulo, sustenta que o patrocínio de casas de apostas se tornou “uma das principais fontes de receita do esporte”, com mais de R$ 1 bilhão por ano só para a Série A.
Sem as bets, argumentam, quebrariam também o futebol feminino, as categorias de base e as divisões inferiores.
Lula desmontou a tese com uma aula de história. “O São Paulo foi tricampeão mundial sem bets. O Santos, duas vezes, sem bets. Grêmio, Flamengo, Internacional, meu Corinthians duas vezes campeão mundial, sem bets.” E arrematou: “Dizer que acabar com as bets é acabar com o futebol é uma balela.”
O que diz o povo
A população brasileira, ao contrário das cúpulas, não tem dúvida. Pesquisa CLARICE/Estratégia Latina/IDEIA, de julho, mostra que 56% dos brasileiros apoiam a proibição das bets, com 62% entre as mulheres.
O apoio atravessa o espectro político: 62% entre eleitores de Lula e 56% entre eleitores de Bolsonaro. Não se trata de pauta ideológica, mas de consenso nacional.
Um levantamento Ipsos-Ipec revela que 68% acham que o patrocínio de bets a clubes deveria ser proibido, contra apenas 19% que o defendem.
E não é só desconfiança: é medo fundamentado. 58% acreditam que as bets aumentam muito o risco de manipulação de resultados — mais do que o dobro dos que veem algum benefício nos patrocínios. A popularidade da medida é ainda maior entre quem sofreu na pele: entre os que apostaram na Copa de 2026, 63% não lucraram, sendo 48% com prejuízo real.
Cartolas saem em defesa das bets após Lula defender fim das casas de apostas
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