Ex-miss e amiga de Michelle, vice na chapa bolsonarista no Rio atacou Ludimila

Ex-miss e amiga de Michelle, vice na chapa bolsonarista no Rio atacou Ludimila
- A vereadora Fernanda Louback/Foto: Reprodução

A escolha da vereadora Fernanda Louback (PL) para compor a chapa de Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro consolida a rápida ascensão da parlamentar dentro da direita fluminense. Em seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Niterói, Louback ganhou projeção por defender pautas ligadas às pessoas com deficiência e ao transtorno do espectro autista, além de adotar posições alinhadas ao bolsonarismo em temas de costumes e segurança pública.
Amiga da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, empresária, ex-modelo fotográfica e mãe atípica, Fernanda Louback iniciou sua trajetória pública antes da política. Em 2003, conquistou o título de Miss Rio de Janeiro representando Nova Friburgo.
Acesso à joalheria
Sua entrada na vida política ocorreu após as obras de revitalização da antiga Rua Coronel Moreira César, atual Rua Ator Paulo Gustavo, em Niterói. Segundo a vereadora, as intervenções realizadas durante a gestão do então prefeito Rodrigo Neves (PDT) prejudicaram o acesso à joalheria da qual era proprietária. A partir desse episódio, aproximou-se da política institucional.
Depois de disputar, sem sucesso, as eleições de 2020 para vereadora e de 2022 para deputada, Louback foi eleita para a Câmara de Niterói em 2024 com 3.503 votos, beneficiada pelo desempenho do PL no município.
Logo após assumir o mandato, uma de suas primeiras declarações de repercussão nacional foi a comparação entre Niterói e o Nordeste brasileiro. Ao comentar a sequência de administrações de partidos de esquerda na cidade, afirmou:
“Eu vejo Niterói como o Nordeste do Rio de Janeiro nesse sentido”, disse.
Na Câmara Municipal, a vereadora passou a protagonizar alguns dos debates mais acalorados da legislatura. Entre suas principais iniciativas está a criação da chamada “Lei Anti-Oruam”, que restringe o uso de recursos públicos para contratação de artistas que façam apologia ao crime ou às drogas em apresentações destinadas ao público infantojuvenil.
Críticas à Ludmilla
Com base nessa legislação, Louback criticou a apresentação da cantora Ludmilla no Réveillon de Niterói, na Praia de Icaraí. Segundo a parlamentar, a execução da música “Verdinha” poderia contrariar a norma municipal por supostamente fazer referência ao consumo de maconha. A artista foi defendida por parlamentares da oposição, que acusaram a lei de promover um “pânico moral” em torno das manifestações culturais das periferias.
A discussão ganhou novos contornos durante a votação do projeto que concedeu a Ludmilla o título de cidadã niteroiense. A proposta, apresentada pela vereadora Benny Briolly (PSOL), foi aprovada por oito votos a seis, mas acabou marcada por um intenso bate-boca entre as duas parlamentares.
O bate-boca
Durante seu discurso, Louback afirmou:
“Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido… Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro de família alemã. Uma mistura danada”, exclamou.
Na sequência, fez referência à aparência de Benny Briolly:
“Sabe o que é engraçado? Defende tanto o povo negro, e olha a cor do cabelo, hoje”, disse.
Após a sessão, Louback divulgou nota afirmando que as imagens do episódio estavam sendo divulgadas de forma “parcial e descontextualizada”. Segundo ela, Benny Briolly teria feito gravações, gestos de deboche e interrompido seu pronunciamento durante o tempo regimental de fala.
“Há registros em vídeo que mostram a vereadora realizando gravações no plenário, fazendo gestos de deboche e se manifestando de forma provocativa enquanto eu estava na tribuna”, afirmou.
A parlamentar também acusou a adversária de atravessar sua frente durante o discurso, chamá-la de “latindo” e fazer gestos insinuando que ela “fala demais”, classificando essas atitudes como incompatíveis com o respeito institucional entre vereadores.
Na nota, Louback afirmou que sua manifestação tinha caráter exclusivamente político e legislativo, relacionada ao debate sobre o cumprimento da legislação municipal.
“O Parlamento deve ser espaço de debate democrático, mas também de respeito institucional entre os representantes eleitos pelo povo”, disse.
A vereadora informou ainda ter apresentado representação contra Benny Briolly com base no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Niterói.
Além das pautas culturais, Louback também defende a internação compulsória de pessoas em situação de rua dependentes de drogas e costuma atuar em pautas ligadas à segurança pública, família e inclusão de pessoas com deficiência, temas que a aproximaram do eleitorado conservador e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Agora escolhida para disputar a vice-governadoria ao lado de Douglas Ruas, Fernanda Louback amplia sua projeção política para além de Niterói e passa a integrar uma das principais chapas do campo bolsonarista na eleição para o Palácio Guanabara.
 

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