Blindado por bolsonaristas na CPMI do INSS, Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do banco Master, contratou um escritório de advocacia que já atuou na defesa de figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro.
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A divulgação da contratação do escritório Bialski Advogados Associados, comandado por Daniel Bialski, aconteceu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro (PL-SP) anunciou como vice o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que atuou como relator na CPMI do INSS e que, juntamente com o presidente da comissão Carlos Viana (Podemos-MG), manobrou para evitar a convocação de Vorcaro e do pastor da Igreja da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro que aparece como doador de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro e de R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022.
Segundo o jornal Valor Econômico, do grupo Globo, “o objetivo da nova equipe de defesa, formada pelos sócios Daniel Bialski, Bruno Borragine e André Bialski, é organizar todos os elementos para apresentar uma proposta robusta de colaboração” após duas tentativas frustradas do banqueiro de fazer um acordo de delação.
Em ambos os acordos rejeitados, Vorcaro sequer citou a relação com Flávio Bolsonaro (PL), que aparece em áudio obtido pela Polícia Federal (PF) cobrando parte dos 24 milhões de dólares que o banqueiro teria prometido como suposto patrocínio ao filme Dark Horse. O financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro virou alvo de investigação.
Michelle, Zambelli e ministro
O escritório da tradicional família Bialski tem uma relação próxima com bolsonaristas e defendeu uma figura central do clã, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no caso em ela foi acusada de se apropriar das joias dadas pela Arábia Saudita ao governo brasileiro e que teriam sido vendidas pelo clã.
Daniel Bialski deixou o caso em agosto de 2023, oito dias depois de ser contratado, quando advogados de Jair Bolsonaro assumirem a defesa de Michelle. A PF concluiu em 2024 que Bolsonaro cometeu os crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos na investigação.
No caso de Carla Zambelli, o escritório atuou em diferentes processos, como a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no qual ela foi condenada.
Já em relação ao ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o escritório fez a defesa no caso em que ele foi acusado de comandar um “gabinete paralelo” de pastores, que teria pago propina em ouro e dentro de Bíblia em um esquema de corrupção na pasta.
Nesse caso, o Ministério Público Federal apontou que houve indícios de vazamento da operação da Polícia Federal contra o ex-ministro da Educação e “possível interferência ilícita por parte do presidente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações”.
Vorcaro contrata escritório que defendeu Michelle Bolsonaro para tentar novo acordo de delação
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