Michelle encenou “pacificação” com Flávio após apelo de Bolsonaro – e não disfarçou o descontentamento

Michelle encenou “pacificação” com Flávio após apelo de Bolsonaro – e não disfarçou o descontentamento
- Michelle e Flávio Bolsonaro encenam pacificiação (Vitor Salles / Reprodução de vídeo)

O rosto fechado e o beijo no ar de Michelle Bolsonaro após a gravação do vídeo em que aparece orando ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) não passou de uma encenação, que só foi produzida após Jair Bolsonaro (PL) implorar para que a ex-primeira-dama fizesse uma aparição pública ao lado do filho no início da campanha presidencial.
Em seu apelo, o ex-presidente teria dito a Michelle que ela também seria atingida com o esfacelamento do bolsonarismo. Após partidos aliados do Centrão, como PP, União e Republicanos, se negarem a apoiar Flávio, Bolsonaro teme que uma eminente derrota do filho colocaria todo o clã em risco.
Michelle, por sua vez, busca assumir o protagonismo de um movimento próprio na ultradireita, com figuras oriundas do bolsonarismo, mas que foram execradas pelos enteados, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Damares Alves (Republicanos) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), com quem ainda nutre o sonho de compor uma chapa presidencial.
Descontentamento evidente
O descontentamento de Michelle ao atender o apelo do marido pode ser visto nos vídeos em que aparece constrangida ao lado do “enteado há 19 anos”.
Após a gravação do vídeo, que deve ir ao ar na estreia da propaganda eleitoral gratuita de Flávio, a ex-primeira-dama puxou uma roda de oração ao lado do enteado para encenar a pacificação.
“Eu faço uma adaptação. Quem estará no lugar de poder e de decisão? Aqueles que estão que têm mãos limpas, que têm corações puros, que não juram enganosamente e nem empregam sua alma em vaidade. O Brasil precisa de homens e mulheres de bem para que verdadeiramente a gente possa cuidar daqueles que mais precisam”, disparou Michelle, com declaração cheia de recados ao “mentiroso” enteado, antes de passar a palavra ao pastor.
Com Flávio segurando um quadro de Bolsonaro ao lado, Michelle evitou tocar ou até mesmo trocar olhares com o enteado. E despediu-se rapidamente com um beijo no ar.
https://x.com/RoziSNews/status/2087244587186143268
Após a encenação, em entrevista na porta do comitê de campanha, Michelle afirmou, inicialmente, que o contato que teve com Flávio era “segredo”. “Normal, normal, meu enteado há 19 anos, nos abraçamos…”, emendou.
Em seguida, indagada sobre a relação com os outros enteados, Carlos e Eduardo Bolsonaro (PL), Michelle marcou território e deixou claro que não há pacificação, mas apenas uma questão política que envolve Flávio.
“Não vou te responder, tá bom? Não vamos polarizar, vamos um dia de cada vez, a gente está se ajustando”, desconversou.
Em seguida, Michelle voltou a deixar clara sua insatisfação com o desfecho da aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, que foi estopim da guerra contra Flávio Bolsonaro.
“Foi articulação do do partido”, disse, revelando um “segredo” em seguida.
“Quando entrei no PL Mulher, eu tinha toda autonomia para a gente poder construir os diretórios estaduais e para que a gente pudesse trabalhar candidaturas em conjunto. Então, me foi dada essa autonomia. E eu poderia indicar 17 mulheres. No final, consegui deixar Celina Leão (DF), Bia Kicis (DF), Carol De Toni (SC) e a vereadora Priscila [Costa, no Ceará], que foi a vereadora mais votada, que tem um trabalho incrível. […] Então, aconteceu que como houve esse desgaste, esse problema no Ceará, eu sou sim contra essa aliança com Ciro Gomes. É visceral. O meu marido hoje está inelegível por conta do partido dele”, declarou.
Michelle ainda criticou a forma como foi destituída do comando do PL Mulher após a briga com Flávio Bolsonaro, deixando claro que ela não se sentiu respeitada.
“Nós elegemos 1.005 mulheres no trabalho de um ano, com muita renúncia, viajando, dedicando ali esforços. Uma equipe em prol da gente poder projetar as mulheres, a gente trazer as mulheres de bem para a política. E, querendo ou não, não fui tão respeitada no quesito de autonomia para trazer a mulher para a política”, emendou.
Ao final, Michelle resumiu o encontro com o enteado, revelando a encenação da “pacificação”. “Nos abraçamos, desejei boa sorte, oramos juntos e está tudo certo”, concluiu.
https://x.com/claudio_dantas_/status/2087251937255178272

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