Deputado aciona PF e pede quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro no caso da “mansão de Richarlison”

Deputado aciona PF e pede quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro no caso da “mansão de Richarlison”
- Richarlison - Foto: Reprodução de Vídeo/TV Globo

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Além disso, ele também pediu a investigação de possíveis irregularidades na transferência de direitos de ocupação de um imóvel da União localizado na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.
Entre os pedidos apresentados pelo deputado está a possibilidade de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro, caso a investigação encontre indícios de movimentações financeiras incompatíveis com o negócio declarado. A representação também solicita que a PF identifique os responsáveis pelos atos administrativos e examine documentos, registros e fluxos financeiros relacionados à operação.
A notícia-crime foi elaborada principalmente com base em documentos oficiais da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
Segundo a representação, os documentos apontam diferenças significativas no andamento de processos relacionados ao imóvel. Um deles teria permanecido praticamente parado por quase três anos. Outro, aberto em 2022, foi concluído em pouco mais de dois meses e regularizou uma cadeia de ocupação que estava desatualizada havia aproximadamente três décadas.
SPU apontou “fortes indícios” de inconsistências
A representação também cita a existência de laudêmios e multas que permaneceram com status de “a cobrar”, além da emissão de uma certidão especial utilizada para superar um impedimento registrado no sistema.
Posteriormente, um despacho da própria Secretaria do Patrimônio da União teria registrado a existência de “fortes indícios” de inconsistências no procedimento e de uma possível manobra para acelerar as transferências relacionadas ao imóvel.
Para Rogério Correia, os fatos precisam ser esclarecidos pela Polícia Federal, especialmente para verificar se houve atuação irregular de agentes públicos ou terceiros e se a operação provocou algum prejuízo ao patrimônio da União.
Pedido de investigação financeira
Além da análise dos procedimentos administrativos, o deputado pediu que sejam examinados os registros financeiros relacionados ao negócio. A representação menciona, em tese, possíveis crimes como inserção ou alteração irregular de dados em sistema público, peculato, corrupção, falsidade ideológica, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.
Correia também solicita a realização de perícias e outras diligências consideradas necessárias pelos investigadores.
No documento, o deputado pede que a autoridade policial avalie a necessidade de solicitar à Justiça medidas cautelares, incluindo o afastamento dos sigilos bancário e fiscal.
A medida, segundo a representação, deverá ser considerada caso os elementos obtidos durante a investigação indiquem a existência de “fluxo financeiro incompatível com o negócio declarado”.
Richarlison expulso da mansão
O caso da disputa judicial envolve Willer Tomez, advogado e amigo íntimo de Flávio Bolsonaro, e o jogador Richarlison, ex-atacante da seleção brasileira. Rogério Correia denunciou um suposto favorecimento do amigo de Flávio por um coronel alçado ao comando da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) do Rio de Janeiro no governo Jair Bolsonaro (PL).
“O Richardson já tinha esta mansão e lá ele passeava, trazia os seus convidados. De repente, foi retirada de lá a esposa do seu empresário, que estava grávida, com força de segurança e muita repressão. Tiraram de lá. E toma posse daquele terreno o senhor Willer Thomaz, amicíssimo de Flávio Bolsonaro”, denunciou Correia em vídeo nas redes sociais.
Segundo a documentação, a mansão em Ilha Comprida, que tem cachoeira que desagua no mar e foi alvo de cobiça de Flávio Bolsonaro, está submetido ao regime de ocupação da União e precisa ter autorização da SPU para ocupação.
“Como que ele [Willer Tomaz] conseguiu essa proeza de permanecer lá? Ele foi até a Secretaria de Patrimônio da União e solicitou que a posse que era da Marinha pertencesse a ele. Ele fez isso no dia 11 de maio de 2022, Willer Thomaz. E em dois meses ele tinha, em tempo recorde, a concessão desta posse da Marinha Brasileira. Mas sabe o que é estranho? É que o Richardson, um ano atrás, em 20 de setembro de 2021, também tinha solicitado a posse e evidentemente não conseguiu. Isso ficou sem análise, está engavetado lá até hoje”, diz Correia.
“É importante aqui ressaltar uma data, que é a data em que eles conseguiram a transferência lá da SPU do Rio de Janeiro para o Willer Thomaz: 12 de julho de 2022. Já durante o processo eleitoral. A derrota de Jair Bolsonaro já era uma possibilidade e eles precisavam correr com isso para entregar essa posse para Willer Thomaz, a pedido de Flávio Bolsonaro”, emenda.
Desde 2019, a SPU no Rio de Janeiro estava sob o comando do Coronel Paulo da Silva Medeiros, que teria sido indicado pelo próprio filho “01” de Bolsonaro ao posto.
“Ele é quem assina todos esses documentos e facilita a vida de Willer Thomaz e, claro, de Flávio Bolsonaro para adquirir essa mansão. As datas estão aqui, os documentos estão aqui”, diz Correia, que entregará a documentação à PF pedindo abertura de investigação sobre o caso.
“Em outras palavras, eles usaram a Secretaria de Patrimônio da União, com alguém indicado por Flávio Bolsonaro, para roubar a sua mansão”, resume.
https://x.com/RogerioCorreia_/status/2087636772670902347
 
 

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