“Mais um vazamento criminoso”, diz advogado de Lulinha sobre conversas com Roberta Luchsinger

“Mais um vazamento criminoso”, diz advogado de Lulinha sobre conversas com Roberta Luchsinger
- Fábio Luís, o Lulinha. em 2010 (Greg Salibian/Folhapress)

Advogado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e da área jurídica da campanha de Lula em São Paulo, classificou como “mais um vazamento criminoso” as supostas troca de mensagens entre o filho do presidente e a empresária Roberta Luchsinger divulgadas em reportagem de Tácio Lorran no site Metrópoles nesta segunda-feira (17).
“É muito grave, é, se eventualmente isso for resultado de um vazamento, é um vazamento criminoso, mais um vazamento criminoso. Nós vamos levar ao conhecimento das autoridades e pedir providências enérgicas ao delegado Andrei [Rodigues, diretor da Polícia Federal], ao ministro André Mendonça [relator do caso no Supremo Tribunal Federal) e também ao nosso ministro da Justiça [Wellington César Lima e Silva]. É, realmente mais uma página triste da nossa história”, afirmou à Fórum.
Marco Aurélio Carvalho ainda ressaltou que “estamos diante da triste e nefasta instrumentalização do sistema de justiça ou de parte dele, a serviço de interesses políticos e eleitorais” e que parte da Polícia Federal voltou a reviver “o que houve de pior na história do nosso país, com a finada Operação Lava Jato”.
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“É muito grave o que tá acontecendo, sobretudo porque nós não temos condição de apurar se as mensagens são verdadeiras, se foram tiradas do contexto, né, estão sendo exploradas do ponto de vista político eleitoral como se fossem verdadeiras, e isso nem sequer se pode, até o presente momento, atestar”, disse.
“A oposição sabe que não ganha, não tem condição de ganhar no voto, e está pretendendo ganhar no tapetão. É realmente uma vergonha”, afirmou, atrelando os vazamento à ala lavajatista da PF, que aderiu á campanha de Flávio Bolsonaro e promove um levante contra Lulinha.
“Nosso futuro é Suíça”
Na reportagem, o Metrópoles destaca um suposto diálogo de 22 de março de 2024 em que Roberta teria dito a Fábio Luís que “nosso futuro é a Suíça” e que “Marcola não quer”, sobre um suposto tráfico de influência com o Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Segundo a reportagem, o filho do presidente teria feito com reuniões com Marcola e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
O texto diz ainda que Berger “abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS – que tentou emplacar contrato milionário para a compra em larga escala de cannabis medicinal pelo SUS”. Um contrato que, na realidade, nunca existiu.
“Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional – crime previsto no art. 325 do Código Penal –, o recorte seletivo e a divulgação parcial das referidas supostas mensagens revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e de obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria”, diz a defesa de Lulinha, em nota assinada por Marco Aurélio Carvalho e Guilherme Suguimori.
“A defesa reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo. Importante reiterar, entretanto, que embora não se possa confirmar a veracidade das informações repassadas criminosamente a este Portal de notícias , solicitaremos , uma vez mais, rígidas apurações da nesfasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais”, emenda a nota.
Vazamentos
Roberta Luchsinger já pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar um suposto vazamento de conversas entre os dois para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo informações divulgadas por Octávio Guedes, da Globonews, em seu blog, o pedido, encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF), tem como base “uma reportagem do jornal O Globo, segundo a qual a campanha de Flávio Bolsonaro teve acesso às conversas, protegidas por sigilo judicial dentro da Operação Sem Desconto, que apura fraudes do INSS”.
No pedido, os advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins, que fazem a defesa da empresária, pedem a quebra de sigilo e a apreensão de computadores, celulares ou qualquer equipamento dos agentes da PF, incluindo delegados cedidos ao gabinete do ministro André Mendonça, relator dos casos envolvendo Lulinha no STF.
Mendonça tem concentrado a investigação em seu gabinete e acusa Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, dos vazamentos. No entanto, segundo apurou a Fórum, há suspeitas de que os vazamentos partam do próprio gabinete do ministro do Supremo por meio de agentes que fariam parte da ala lavajatista da Polícia Federal.

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