Flávio Bolsonaro lança ofensiva contra fim da escala 6×1 no Senado para barrar vitória de Lula

Flávio Bolsonaro lança ofensiva contra fim da escala 6×1 no Senado para barrar vitória de Lula
Flávio Bolsonaro quer barrar aprovação do fim da escala 6x1 - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) vem mobilizando aliados no Senado para tentar impedir que a PEC que acaba com a escala 6×1 seja votada antes das eleições. A proposta é uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
À frente da ofensiva está o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio. A estratégia inclui pedidos de vista, apresentação de emendas e outras manobras regimentais para consumir o tempo disponível e evitar que a proposta chegue ao plenário.
A movimentação ganhou urgência depois da reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Após quase três meses de afastamento do Palácio do Planalto, Alcolumbre destravou a tramitação da PEC e abriu caminho para sua análise durante a semana de esforço concentrado do Congresso, prevista para ocorrer entre 31 de agosto e 3 de setembro.
Rogério Marinho comanda ofensiva contra votação
Marinho já apresentou uma PEC alternativa e tenta redirecionar o debate no Senado, substituindo a proposta em tramitação por um texto que reduz seus efeitos sobre a jornada dos trabalhadores.
O plano passa por pedidos de vista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), além da apresentação de emendas capazes de modificar o texto e prolongar sua tramitação. A intenção é impedir que a PEC seja apreciada tanto pela comissão quanto pelo plenário durante a última semana de esforço concentrado antes das eleições.
Na primeira semana de esforço concentrado, em agosto, Marinho já havia tentado fechar um acordo com Alcolumbre para que a proposta simplesmente não fosse pautada durante o período eleitoral.
O discurso público dos aliados de Flávio, porém, evita atacar diretamente o mérito da proposta. O fim da escala 6×1 é tratado como um tema sensível para os trabalhadores, e a justificativa apresentada para o adiamento é a necessidade de aprofundar o debate e impedir uma suposta “contaminação política” provocada pela disputa eleitoral.
O argumento chama atenção porque parlamentares que agora defendem o adiamento já votaram favoravelmente à medida quando ela passou pela Câmara dos Deputados.
Reaproximação de Lula com Alcolumbre destravou a PEC
A PEC que extingue a escala 6×1 estava parada no Senado desde maio. O cenário mudou após a retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre.
Depois de um encontro com o presidente, Alcolumbre enviou a proposta para a CCJ e deu aval à indicação de um relator alinhado ao Planalto: o senador Omar Aziz (PSD-AM).
Aziz sinalizou que pretende apresentar seu relatório durante a semana de esforço concentrado. O senador, no entanto, ressaltou que a definição do calendário de votação caberá aos líderes das bancadas, o que mantém o desfecho da disputa em aberto.
Lula já declarou publicamente que o fim da escala 6×1 está entre as prioridades de seu governo para o período de esforço concentrado do Congresso, entre 31 de agosto e 3 de setembro.
A reaproximação com Alcolumbre também abriu caminho para outras pautas defendidas pelo governo, entre elas a PEC da Segurança Pública e o fim da chamada “taxa das blusinhas”.
Bolsonaristas tentam impedir vitória política de Lula
No campo governista, a movimentação é vista como uma tentativa de impedir que Lula chegue às eleições com uma vitória concreta na área trabalhista.
A PEC beneficia diretamente milhões de trabalhadores submetidos à jornada de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Sua aprovação antes da eleição representaria uma conquista política de peso para o presidente.
Vice na chapa de Flávio Bolsonaro, o deputado Alfredo Gaspar criticou abertamente a movimentação do governo.
“Lula está desesperado, o seu governo foi um desastre. Teve quatro anos para viabilizar pautas positivas e não fez. Agora, quer, às vésperas da eleição, alardear o seu interesse nessas pautas.”
A declaração, porém, contrasta com o próprio histórico de Gaspar: o deputado votou a favor da PEC quando ela foi aprovada na Câmara.
Enquanto tenta postergar a votação da proposta em tramitação, Marinho defende sua própria PEC. O texto alternativo permite que trabalhadores escolham entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas efetivamente trabalhadas, com compensação e redução da jornada por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta. Na prática, o projeto abre caminho para uma escala de trabalho sem folgas semanais.
O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), já afirmou que não pretende designar relator para a proposta de Marinho. Admitiu, no entanto, que trechos do texto poderão ser incorporados à PEC que acaba com a escala 6×1 caso haja acordo entre os parlamentares.

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